TV-Pesquisa - Histórico

Quando, no dia 6 de agosto de 1969, guardei uma notícia - recortada do JORNAL DO BRASIL - sobre a implantação da TV Educativa, no Rio de Janeiro, não imaginava ter iniciado a criação de um banco de dados, denominado, duas décadas depois, de TV-Pesquisa.

Já no decorrer da década de oitenta, mesmo sem documentos digitados, o banco se mostrou valioso para professores e estudantes brasileiros e também para pesquisadores de vários países, como Alemanha, Dinamarca, Suécia, França, Finlândia, Portugal e Estados Unidos.

Qual o motivo do ato daquele 6 de agosto? Provavelmente o desejo de estudar o tratamento que a imprensa dava à TV. Naqueles anos negros da ditadura, terríveis para a história do Brasil, não era muito aconselhável fazer pesquisa de campo. Os estudos sobre a audiência só comecei a fazer no final da década de setenta.

O acervo - ainda não o de banco de dados - já mostrara sua utilidade na elaboração da minha dissertação de mestrado (1974), A telenovela - instrumento de educação permanente, publicada em 1980 pelo Centro de Investigação e Divulgação, de Petrópolis. Tornou-se, então, necessária uma sistemática de coleta dos dados primários - reportagens, notícias, editorais - dada a falta de espaço. O material jornalístico era coletado de maneira aleatória. A fonte inicial foi uma assinatura do JB mas, ao mesmo tempo, eu coletava, em outros lugares - mesmo em aviões - o que considerava 'interessante'. Amigos me deram os jornais O GLOBO e FOLHA DE SÃO PAULO. Por isso decidi, em 1977, criar uma ordem - mantida até hoje - neste 'depósito de dados primários'.

O papel da imprensa no universo televisivo não pode ser desprezado por vários motivos.

O primeiro decorre do papel social que o cronista da TV se atribui. Assim, comemorando quatro anos de críticas diárias no jornal O GLOBO, o colunista Artur da Távola se considera, "querendo ou não, uma espécie de advogado do consumidor". O cronista do JB, Paulo Maia, define sua atuação como crítico como uma militância. Um cronista da FOLHA DE SÃO PAULO, Felipe Fortuna, se denomina "um triste panfletário", que procura um leitor. Outro cronista da FOLHA, Fernando de Barros e Silva, afirma na crônica "Afinal, para que serve a crítica?",  que esta crítica "talvez não passe de um esperneio narcísico de alguém que é tão selvagem quanto as coisas de que se ocupa". Em virtude destes questionamentos, talvez a FOLHA tenha promovido um concurso para encontrar um simples telespectador para escrever sobre a TV, sem criticá-la.

Por sua vez, os editoriais não duvidam nem questionam. Eles defendem grandes temas, como a qualidade na programação televisiva. Propõem-se preservar a família e reclamam por ética.

Por outro lado, a imprensa aponta irregularidades no usufruir de sua concessão e prova que o universo televisivo é maior que o televisor.

Falando do televisor caseiro, a imprensa, sem dúvida, revela sua importância para o cidadão pouco respeitado. Muitas vezes, pouca noção temos desta importância no dia-a-dia do telespectador. Neste sentido, a imprensa revela.

Caso estas afirmações sejam verdadeiras, o usuário do Banco de Dados TV-Pesquisa terá acesso  a um imenso universo para ser explorado.

João Luís van Tilburg, Professor Emérito, Licenciado em Filosofia e Doutor em Comunicação, lecionou no Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio
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