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Jornal/Revista: Jornal do Brasil
Data de Publicação: 26/10/2004
Autor/Repórter: James Cimino

O FÔLEGO DA RECORD

'A escrava Isaura' conquista segundo lugar de audiência

SÃO PAULO - A Rede Record parece ter exorcizado o último fantasma de seu núcleo de teledramaturgia. Depois da equivocada Metamorphoses, a emissora acerta na readaptação do romance de Bernardo Guimarães, A escrava Isaura. Desde sua estréia, na semana passada, às 18h50, o folhetim conquistou o segundo lugar na audiência do horário e desbancou o SBT, que apresenta a essa hora desenhos e a trama mexicana Alegrifes e rabujos.

O remake também bate de frente com Começar de novo, da Rede Globo, líder no horário. Ainda é cedo para afirmar de onde vêm os pontos a mais para a Record, mas, se a novela continuar a crescer, a trama global terá de tomar cuidado. Segundo Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia pela Universidade de São Paulo, sob o comando de Herval Rossano - que dirigiu a primeira versão, na Globo, em 1976 - a trama da emissora paulista demonstra ser uma aposta acertada.

- Tenho certeza de que começaram da maneira certa, com bons atores, um diretor experiente, uma história boa e que fez sucesso no mundo todo.

Alencar adverte, no entanto, que fazer frente à Globo exige algumas providências.

- Acho bárbaro que a Record queira formar um novo núcleo em São Paulo. Mas, para isso, é preciso criar uma equipe de base. Fazer sucesso com uma novela não garante o sucesso de outras. Além disso, é necessário estabelecer um horário com público cativo para depois se aventurar em outros horários.

A escrava Isaura é mesmo uma história cativante. O drama da garota meio escrava, meio sinhá, e sua luta pela liberdade deixam o telespectador ansioso para ver os capítulos. O autor da novela, Tiago Santiago, disse que não teve acesso à versão de 1976:

- Tentei ser fiel ao livro. Mas criamos alguns personagens, tiramos outros e mudamos algumas histórias paralelas.

O autor fez uma composição de personagens adequada à linguagem do folhetim. Mesmo assim, ainda há ajustes a fazer. A heroína Isaura, que projetou internacionalmente a carreira de Lucélia Santos e agora é interpretada por Bianca Rinaldi, deveria diminuir o tom de angústia que antecipa demais o sofrimento que ainda está por vir.

A vingadora Tomásia (Mayara Magri) também está um pouco exagerada na carga de drama e revolta, o que a deixa beirando o dramalhão mexicano. Os vilões, como sempre, são uma atração à parte. O psicopata Leôncio (Leopoldo Pacheco) é, ao mesmo tempo, odioso, fascinante e sedutor, o que justifica seu apelo entre as mulheres da trama.

O comendador Almeida (Rubens de Falco) é a encarnação do senhor de escravos, patriarcal e duro. E, por fim, a escrava Rosa (Patrícia França) rouba a cena. Principalmente por se tratar de uma vilã que reúne sentimentos contraditórios. Vale a pena ver de novo.

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 103501