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Nova Consulta

Jornal/Revista: O Globo
Data de Publicação: 08/12/2004
Autor/Repórter: Elena Corrêa

IGUAL À ORIGINAL, MAS SEM DUBLAGEM

Para quem viu “Esmeralda”, trama mexicana exibida pelo SBT há quatro anos, teve anteontem, na estréia da nova versão gravada pela emissora, a sensação de estar assistindo a uma reprise em que apenas os atores mudaram. Curioso é ver no lugar dos latinos engomados artistas nacionais que o público estava acostumado a encontrar em novelas da Rede Globo. Estão lá, dominando os 45 minutos de começo de história, Lucinha Lins, Manoelita Lustosa, Paulo César Grande, Bianca Castanho e Cláudio Lins. E todos muito à vontade dentro do propósito de viver um folhetim com todos os elementos típicos de um dramalhão.

Para quem gosta do típico novelão - A nova “Esmeralda”, produzida pelo SBT, é uma adaptação feita por Henrique Zambelli e Rogério Garcia do texto original de Délia Fiallo. A abertura, com pedras de esmeralda passeando pela tela com o rosto do elenco em seu interior, já prepara para o estilo de trama que se verá a seguir. Não há dúvidas: trata-se de um “novelão”.

A história não é nova. Numa noite de temporal, numa choupana, uma pobre infeliz dá à luz um menino, atendida por uma parteira. Simultaneamente, numa fazenda, a mulher de um rico fazendeiro entra em trabalho de parto, e o médico não chega. A mesma parteira é chamada. Mas nasce uma menina, que é considerada morta. O que fazer, se o fazendeiro malvado e machista queria um herdeiro? A solução: trocar os bebês. Em troca do favor, a parteira ganha um par de brincos de esmeraldas. Mas, ao voltar à choupana, descobre que a menina sobreviveu. Mas é cega. Resolve criá-la sozinha e a batiza como... Esmeralda.

Vinte anos depois, o destino faz com que o caminho de Esmeralda se cruze com o de José Armando, o filho da infeliz pobre que foi criado pela família rica. Mas sua mãe, Branca, ficou sabendo, através da empregada, da troca de bebês. E ainda pensa na filha que não chegou a conhecer.

Bianca Castanho, no papel de Esmeralda, e Cláudio Lins, como José Armando, formam um casalzinho simpático e que deverá atender à fome de cenas melosas que os telespectadores mais românticos têm. Lucinha Lins, que faz Branca, a verdadeira mãe de Esmeralda, não precisava do excesso de maquiagem nas primeiras cenas para parecer mais jovem. Ficou muito mais iluminada após a passagem de tempo. Paulo César Grande incorporou bem o estilo mexicano na interpretação de Rodolfo, o fazendeiro malvado. O ator caminha como se estivesse desconfortável dentro do figurino e parece estar declamando num palco a cada frase raivosa de seu personagem.

Já Manoelita Lustosa dominou o primeiro capítulo no papel de Rosário, a parteira que adota a mocinha da história. Mas é impossível não sentir pena da atriz. Depois de toda a choradeira que agüentou de Salete (Bruna Marquezine) em “Mulheres apaixonadas”, na Rede Globo, ano passado, sua nova personagem passou boa parte do capítulo de anteontem às voltas com o choro de dois recém-nascidos. Mas ela deu conta do recado.

Direção competente ameniza falhas - Mais uma vez, como acontece na maioria das novelas da emissora, a cenografia pesou na mão. Na primeira fase, os ambientes da fazenda estavam poluídos demais com estampas exageradas em cortinas e móveis e vitrôs coloridos. Até a mesa de cabeceira da cama de Branca tinha ramos de flores pintados! Já a pobreza da choupana foi bem retratada. Não faltou nem mesmo uma mosca passeando pelo braço de Aparecida (Aline Aboviski), a mãe de José Armando que morreu no parto. Felizmente, a passagem de tempo trouxe modernidade e os cenários ficaram mais clean .

Tirando os detalhes mexicanos, não há como não reconhecer a direção de Jacques Lagoa. Dentro da estrutura e das condições em que trabalha, o diretor está fazendo um bom trabalho. E o público parece ter aprovado: a estréia registrou 11 pontos de média no ibope, com 13 de pico.

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 104807