PUC-Rio

Voltar

Nova Consulta

Jornal/Revista: O Estado de S. Paulo
Data de Publicação: 03/04/2005
Autor/Repórter: Keila Jimenez

CHIQUITITAS: FEBRE CONSUMISTA

Em 1997, estreava no SBT o fenômeno Chiquititas. Assim como Floribella, a novelinha nasceu da versão de uma trama homônima, sucesso na Argentina na época. Co-produção envolvendo SBT, Cris Morena e a rede argentina Telefe, o folhetim, que girava em tomo das aventuras das crianças do Orfanato Raio de Luz, conseguiu transferir seu sucesso em audiência para o mercado fonográfico, editorial e de lícenciamentos. Uma verdadeira mina de ouro eletrônica.

Gravada na Argentina com atores brasileiros, Chiquititas alcançou em seus dois primeiros anos no ar média de 18 pontos de ibope e ficou na programação do SBT até 2001 (atualmente está sendo reprisada). Além de tirar pontos preciosos do Jornal Nacional e da novela das 9 da Globo - seus concorrentes no horário - a trama vendia muito bem sonhos infantis e, junto a eles, bonecas, mochilas, CDs, revistas, tênis...

A experiência era familiar ao SBT. A emissora de Sílvio Santos já havia faturado muito com o dramalhão mexicano Carrossel. As aventuras da professorinha Helena (Gabriela Rivero) e suas crianças sucederam a tentativas do tipo como Chispíta e antecederam na rede outras como Luz Clarita e a Menina da Mochila Azul. Mas nenhuma delas faturou tanto como As Crianças mais Amadas do Brasil, como era chamado o show das chiquititas.

O primeiro CD da novelinha vendeu 1,2 milhão de cópias no País. Os outros quatro discos ultrapassaram, todos, a marca das 200 mil cópias, recorde equivalente ao sucesso da versão argentina. A Editora Atlântida, do mesmo grupo que controla a Telefe, não esperou muito Para lançar em português a revista oficial do folhetim Na Argentina, a publicação, quinzenal, vendia cerca de 150 mil exemplares ao mês. No Brasil, a tiragem inicial da revista foi de 280 mil e logo passou para 350 mil revistas por edição.

Bonecas inspiradas nos 15 personagens da trama foram lançadas pela Estrela na época - quase meio milhão foi vendido em menos de três meses, sendo 30 mil da boneca da professorinha Carolina, vivida por Flávia Monteiro.

Além da febre consumista, Chiquititas ajudou a alimentar a idéia dos 15 minutos de fama nas crianças. A trama que revelou rostos desconhecidos do público até então - como Débora Falabella - abriu concurso para a escolha de novos integrantes. Era o sonho coletivo: cantar e dançar ao lado dos pequenos órfãos do Raio de Luz. Sonho perseguido por mais de 31 mil crianças que se candidataram a vagas e de outras tantas que foram esmagadas nos portões, por falta de organização do SBT, idealizador do evento. Foi quando muitos acordaram. Coincidência ou não, de lá por adiante a audiência de Chiquititas nunca mais foi a mesma.

Voltar

Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 108165