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Jornal/Revista: Meio & Mensagem
Data de Publicação: 26/02/1990
Autor/Repórter: Célia Demarchi

TV JOVEM PAN INICIA SUAS TRANSMISSÕES EM MAIO

Com um investimento de 16 milhões de dólares, a TV Jovem Pan entra no ar com equipamentos sofisticados, uma potência dez vezes maior que a da Globo em São Paulo e formatos comerciais diferenciados

As grandes redes que se preparem, pois em breve terão de disputar com mais uma potente emissora a verba publicitária da TV. Em meados de maio próximo, entra no ar a TV Jovem Pan, que, embora em UHF, será aberta -não transmitirá apenas a um seleto grupo de assinantes -, levará imagens tão bem definidas quanto as enviadas pela gigante Globo para toda a Grande São Paulo nos primeiros meses de operação e para vários pontos do país em cerca de um ano e ainda resgatará, de verdade, a TV ao vivo, propiciando opções e formatos de veiculação inusitados.

O interesse de agências e anunciantes pela nova emissora pode ser medido pelos contratos de permuta que chegaram a financiar mais de US$ 3,5 milhões, dos US$ 16 milhões investidos pela Jovem Pan para viabilizar a TV. Empresas como Pirelli, Ford, Hobjeto, Olivetti, Philco-Hitachi, Concrelix e Philips, por exemplo, já garantiram seus espaços nos intervalos comerciais da emissora, em troca do fornecimento de equipamentos e materiais.

"E há muitos negócios engatilhados e verbas comprometidas", assegura o diretor vice-presidente da Jovem Pan, Marcelo Mainardi, sem citar números, mas garantindo que, além de todas as grandes agências de publicidade, as negociações envolvem companhias como Rodhia, Banco Itaú, Gessy Lever, Bradesco e Unibanco, entre outras que costumam destinar fartas verbas à propaganda.

De saída, diz Mainardi, os anunciantes terão aproximadamente trinta diferentes formatos para veicular na TV Jovem Pan, cuja principal diferença em relação às emissoras em VHF será a agilidade de uma programação transmitida basicamente ao vivo e amparada no mesmo tripé que garante o sucesso da rádio Jovem Pan AM - esportes, jornalismo e prestação de serviços -, eventualmente reforçado por filmes de apelos comerciais fortes e clips. "Vamos resgatar a TV ao vivo (a TV ficou muito fria nos últimos anos) e por isso nossa comercialização será diferenciada", diz Mainardi, prometendo a possibilidade de se criarem produtos específicos para determinados setores. "Mas, por enquanto, estamos trabalhando para o lançamento. A equipe de comercialização será formada somente daqui a um mês, acrescenta ele.

O interesse de agências e anunciantes pela nova emissora, porém, não provém, claro, apenas das possibilidades diferenciadas de veiculação, mas do público segmentado (e amplo) que a TV pretende atingir. "Vamos chegar às classes A, B e C", sobretudo aos formadores de opinião, promete Mainardi, explicando que qualquer aparelho dotado de um sintonizador de UHF poderá captar as imagens da emissora, mesmo sem antena externa, em alguns locais da Grande São Paulo. "Até o videocassete servirá como conversor, se a TV não for em UHF", diz ainda o diretor da rádio.

Tecnologia - A nova TV, por tudo isso, se distanciará expressivamente das demais emissoras em UHF, sistema que a Jovem Pan adotou apenas por ser inviável a instalação de mais um canal em VHF no Brasil. Na verdade, a Jovem Pan, a primeira empresa a realizar estudos de viabilidade da TV por assinaturas no país, no início da década passada, não acredita na possibilidade de sua consolidação e, dessa forma, optou pela TV aberta.

Essa opção, no entanto, custou caro: dos US$ 16 milhões empregados na nova TV, US$ 9 milhões foram absorvidos por equipamentos sofisticados, importados da Sony japonesa - o restante foi aplicado na compra e reforma de um prédio no bairro da Barra Funda, que abrigará quatro estúdios (o maior deles com 700 m2 de área), departamento comercial, administração, diretoria, presidência e grande parte dos 900 funcionários que a emissora pretende empregar até o final deste ano.

A torre, construída sobre o prédio do Senai na Avenida Paulista, que teve sua estrutura reforçada para suportar o peso de 88 toneladas, tem a mesma altura da torre da Rede Globo, amparada sobre o prédio da TV Gazeta, praticamente ao lado, enquanto a potência de 4 magawatts da TV Joven Pan equivale a dez vezes a potência da Globo em São Paulo. "O alcance não é maior, mas a qualidade da imagem será tão boa quanto a da Globo", diz Mainardi, informando que a TV inclusive fará transmissões em estéreo. "No caso de filmes e programas importados, o telespectador poderá captar o som original ou dublado, conforme as possibilidades de seu aparelho", ele ainda acrescenta.

Um outro recurso da TV Jovem Pan é o Segundo Canal de Audiência, o SAP, que será aplicado especialmente em jornalismo, para permitir a tradução simultânea da programação para o inglês. Mas isso será implantado somente após alguns meses de operação.

A sofisticação, porém não para; por aí. Para garantir a agilidade e a qualidade, sobretudo, das informações, a nova emissora contará com nada menos de 46 câmeras de efeito digital Kaleidoscope, equipamentos de última geração, além de uma TV móvel que funcionará num ônibus com outras seis câmeras sem fio, gerador de caracteres, nove viaturas e um helicóptero provido com câmera com microondas móveis. "Tudo isso para entrar ao vivo a qualquer hora e de qualquer ponto", explica o diretor da Jovem Pan, lembrando que viaturas e helicóptero farão links diretos com a rádio -, o que na prática significa ter à disposição um quinto estúdio.

E, embora tenha sua principal base em São Paulo, a nova emissora assinou com a Embratel um contrato que permitirá a transmissão para todo o país, via satélite, para quem dispuser de antenas parabólicas. Em Brasília, a TV será sintonizada pelo canal 40, que deverá começar a operar até o final deste ano, como retransmissor. Outras 32 cidades do interior de São Paulo poderão transmitir a programação da TV Jovem Pan como repetidoras, já a partir de maio. "E estamos em contato com emissoras independentes para transmissão de parte da programação em vários pontos do país", diz Mainardi.

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 11673