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Jornal/Revista: Jornal do Brasil
Data de Publicação: 31/12/2006
Autor/Repórter:

A FICÇÃO CHEGA À BARRA

As novas relações são o tema da novela da Record

Em outros tempos, era tudo certinho. Pai e mãe, até que a morte os separasse, e filhos, muitos filhos (o resto era exceção - de preferência, o mais escondido possível). Mas, de olho nas mudanças que a família tradicional sofreu ao longo dos anos, a autora Ana Maria Moretzsohn escolheu os relacionamentos contemporâneos como o tema de sua próxima trama, com título provisório de Amor perfeito, prevista para estrear em março no horário das oito na Rede Record. Vai ter de tudo (ou quase): mãe solteira, pai solteiro, site de encontros na internet, uniões do tipo os seus, os meus, os nossos (entre pares que entram na relação trazendo filhos de casamentos anteriores), ligações que crianças e adolescentes têm com os avós hoje em dia, a personagem que quer arrumar um namorado a todo custo, a outra que abriu mão de ter um relacionamento amoroso estável.

Como cenário nada de Leblon ou subúrbios caricatos. Ana Maria escolheu a Barra da Tijuca, que ganhou fama como o eldorado dos novos-ricos cariocas e que, no folhetim, foge do estigma mostrando-se um bairro que abriga desde o núcleo rico da novela ao de mais baixa renda, passando pelos personagens de classe média, com tipos de toda espécie. Há, pelo menos, uma grande diferença na Barra de Ana Maria em relação à da vida real: na telinha, todos os nomes de establecimentos comerciais pertencerão à língua portuguesa. Providência que a autora fez questão de tomar. O cuidado soa como um puxão de orelha no bairro que se celebrizou também por chamar padaria de bakery, abrigar uma imitação da nova-iorquina Estátua da Liberdade e ostentar letreiros que seriam perfeitamente compreendidos em Miami - tida como sua inspiração -ou qualquer outra cidade de língua inglesa.

Que fique claro: a autora combate preconceitos. Principalmente quando se trata das novas modalidades familiares. "Os conflitos acontecem até nos núcleos mais tradicionais. Acertar não depende do tipo de família que se tem, mas do diálogo, que é o mais importante", ensina.

Outra idéia consagrada que é contestada por Ana Maria diz respeito a um dos grupos que povoariam a Barra: os chamados pitboys (lutadores briguentos que ganharam tal alcunha inspirada na raça canina de má fama). "Essa fase já passou. Agora, os jovens estão mais ligados em esportes e em grafite", defende.

Um tema escolhido para a trama que promete render assunto é a tendência de se procurar a cara-metade via internet. "Mas na novela é uma coisa meio misturada. Não é um meio frio, em que as pessoas só se conhecem depois: tem vídeos em que o participante se apresenta, e o site mantém uma sala para que os internautas se encontrem", descreve.

A autora, que gosta de se dizer militante do "MSN , Movimento dos Sem Neto", acha que as avós, outro dos assuntos de sua trama, mudaram. Se antes elas

tomavam conta dos netos, agora trabalham, querem viajar e sair com os amigos. "Acho ótimo isso, porque avó não foi feita para criar neto. Elas não têm mais saco. Quem pariu Mateus que o embale." Isso não quer dizer, no entanto, que Ana Maria, em sua vida particular, não tenha vocação para ser uma vovó mais tradicional. "Eu falo para meus filhos que eles podem deixar seus filhos comigo quando tiverem, mas aviso: vou estragá-los, depois não me cobrem".

Divorciada, Ana Maria tem namorado, mas hoje considera ideal o casamento em casas separadas. Um ingrediente a mais para sua trama.

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 127286