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Nova Consulta

Jornal/Revista: Jornal do Brasil
Data de Publicação: 05/04/1991
Autor/Repórter: Célia Chaim

IBF PODERÁ ADQUIRIR 40% DA TV JOVEM PAN

SÃO PAULO - Dois meses-depois de assumir o controle e a direção do grupo Diário Comércio e Indústria, responsável pela publicação dos jornais DCI e Shopping News e da revista semanal Visão, a Indústria Brasileira de Formulários (IBF) articula outro negócio de porte na área da comunicação: a compra de 40% da TV Jovem Pan, emissora em UHF que opera em fase experimental e pertence a Tuta Machado de Carvalho, da rádio Jovem Pan, e a João Carlos Di Gemo, dono da rede de escolas Objetivo.

A direção da IBF confirma a existência de negociações preliminares, como diz Charles Levi, presidente do grupo. "Estamos conversando com várias companhias, entre elas a TV Jovem Pan, porque temos interesse em diversificar nossos investimentos, mas ainda é muito cedo para falar nisso." Se valerem como parâmetro as negociações com o DCI, mantidas em sigilo e em fase preliminar até o momento final, não é especulação concluir que a IBF ampliará o leque de seus empreendimentos.

Projeto —A aquisição de parte do capital da TV Jovem Pan estaria sendo discutida entre as três partes — IBF, Tuta Machado de Carvalho e João Carlos Di Gênio — há cerca de dois meses, em torno de uma participação de 40%, avaliada em US$ 10 milhões. Seria o suficiente para fazer deslanchar um projeto tecnicamente pronto: a TV Jovem Pan tem os equipamentos para funcionar — até carros de reportagem —, mas mantém-se com estrutura mínima de oito a 10 pessoas, veiculando programação que não lhe custa nada, à base de filmes obtidos em embaixadas e jogos de futebol do campeonato argentino, pelos quais já pagou o direito de retransmissão. Seu departamento de jornalismo, ponto forte do projeto, tem apenas o diretor Narciso Kalili e o diretor-adjunto Raul Bastos.

Definida a participação do novo sócio e o valor da aquisição, o que estaria sendo discutido neste momento seria o comando do empreendimento. Ou seja, quem vai mandar? Juntos, Machado de Carvalho e Di Genio ficariam com 60%, o que, teoricamente, lhes daria o comando do empreendimento. Mas quem garante que essa seria a composição? O que parece indiscutível é que, mais uma vez, correndo junto com outros interessados (fala-se, inclusive, no nome de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que entraria como pessoa física e não como diretor da Rede Globo), disparou à frente. "Temos um índice de liquidez muito alto", diz Charles Levi, presidente da IBF desde 1986.

Ninguém duvida. A IBF, indústria gráfica de formulários contínuos para computadores, talões de cheque, passagens aéreas e bilhetes de loteria instantânea, comprou o DCI por valor não revelado mas em cash. Também comprou uma gráfica na Inglaterra, uma das maiores da Europa na impressão de passagens aéreas. Tamanho fôlego não deixou de alimentar suspeitas no mercado quanto à existência de grupos políticos por trás das negociações na área de comunicação. Por que, afinal, um grupo sem nenhuma experiência com empresas jornalísticas estaria entrando nesse ramo de negócio num momento econômico difícil? "Também não temos experiência nenhuma com TV, mas temos interesse em diversificar", diz Levi, admitindo que há especulações em torno da vinculação do grupo a interesses políticos. "Tudo não passa de especulações."

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 14967