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Nova Consulta

Jornal/Revista: Jornal do Brasil
Data de Publicação: 06/06/1992
Autor/Repórter: Ana Cecília Americano e Eleno Mendonça

COMPRA DA MANCHETE PELO IBF

Negociação está no fim e valor estimado é de US$ 145 milhões

SÃO PAULO - A venda da TV Manchete para o grupo IBF está quase sacramentada. Segundo declarou ontem o presidente executivo do IBF, Charles Levy, o negócio está com 90% de chances: "Faltam poucos detalhes", afirmou. A novela em torno da transação se arrasta, há meses, mas entre os pretendentes em assumir a televisão da família Bloch nenhum esteve tão perto quanto IBF, analisou Leyy. "As chances são tão boas que muitos já até divulgaram a venda como certa. Mas ainda é cedo para isso. Quando todas as arestas contratuais forem aparadas seremos os primeiros a chamar a imprensa e anunciar a novidade", garantiu Flávio Muller, porta-voz do IBF. Ele garante que o presidente do grupo, Hamilton Lucas de Oliveira, continua os contatos para a compra da Manchete, mas, como em outros negócios que fechou, prefere resguardar-se a dar entrevistas.

Os valores até aqui anunciados também não passam de especulação. disse Muller, já que todas as cláusulas estão envoltas em sigilo absoluto. No mercado, contudo, comenta-se que a Manchete será vendida por um valor ao redor de US$ 145 milhões. Além do desembolso por parte do IBF, o grupo assumiria um passivo em torno de US$ 100 milhões, formado por dívidas junto ao Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Nesta semana os boatos tornaram-se especialmente mais intensos e até o nome dos prováveis novos diretores da rede de TV foram ventilados. Um deles seria David Raw, diretor da Divisão de Mídia Eletrônica do IBF, que já responde no grupo pela área que abrange a TV Joven Pan, em São Paulo, onde Hamilton Lucas Oliveira já aparece com redondos 40% de participação. "E natural que meu nome seja cogitado, afinal tenho 40 anos de experiência em televisão", disse Raw. Ele afirma que já no ano passado, quando ainda não se falava de o IBF comprar a Manchete, a família Bloch o convidou para um cargo diretivo. "Por isso acho que meu nome não terá resistências na casa. Mas por enquanto nada existe de concreto"; garante, sem contudo, desmentir o convite.

Depois de consolidar um império no setor gráfico - formulários contínuos, bilhetes instantâneos de loteria, talões de cheque e bilhetes de passagens aéreas -, o grupo IBF decidiu enveredar pelo segmento das comunicações. Nos últimos meses, nesse campo, demonstrou inclusive fôlego financeiro invejável: comprou o grupo DCI/Visão, com parque gráfico e tudo, por US$ 12 milhões; o título do jornal carioca Correio da Manhã - dos Diários Associados -; e 40% das ações da TV Joven Pan, em UHF. Embora ninguém confirme, consta que a participação na Pan já teria subido para 70%, com a compra de 30% do sócio Antônio Augusto Amaral Carvalho, o Tuta, que se comenta não pisa nos estúdios desde dezembro do ano passado. Como no contrato da emissora o sócio só detém o controle a partir de 75% das ações, faltariam a Hamilton Lucas de Oliveira apenas convencer o outro integrante da sociedade, João Carlos Di Gênio, que tem 30% e também é dono da rede de colégios Objetivo, a lhe vender os 5% faltantes. Mas consta também que isso será muito difícil. Di Gênio já falou a amigos mais de uma vez: "Não adianta insistir que eu não vendo."

Toda a fonte de recursos para essas evoluções provém, segundo já declarou várias vezes Hamilton Lucas de Oliveira, do faturamento no campo gráfico. Neste ano, o faturamento do grupo está previsto em US$ 250 milhões, um resultado forjado 40% apenas com as loterias do tipo Raspadinha

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 151656