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Jornal/Revista: Folha de S. Paulo
Data de Publicação: 09/06/1991
Autor/Repórter: Annette Schwartsman

MEXICANA ACHA NOVELA BRASILEIRA MELHOR ACABADA

Veronica Castro, 38, 25 de carreira, é a estrela da novela mexicana "Rosa Selvagem", produzida em 1988 e que o SBT exibe de segunda a sábado, às 21h. Uma espécie de Marília Pera mexicana, além de atriz ela é também cantora, apresentadora e "diplomata formada".

Em entrevista por telefone à Folha, Verônica afirma que conhece "muito bem" as novelas brasileiras e vê várias diferenças entre estas e as produções mexicanas. "As novelas fortes têm uma boa aceitação em todo o mundo, tanto as brasileiras quanto as mexicanas. As brasileiras têm muita produção, são novelas importantes porque se investe bastante dinheiro nelas. Não sei dizer quanto custa hoje uma novela mexicana. São caras, mas definitivamente, no aspecto da produção, as telenovelas brasileiras são muito melhores", diz.

Com um currículo de mais de 20 filmes e 25 telenovelas -a última se chama "O Pequeno Polegar'', e foi exibida no México até novembro do ano passa-

do-, Veronica ficou surpresa ao saber que -" Rosa Selvagem está fazendo sucesso no Brasil. "Isso me dá muito prazer porque há muito tempo não passava uma novela minha no Brasil, desde `Os Ricos Também Choram' (exibida três vezes pelo SBT, a última em 1984)".

Para Veronica, os importantes índices de audiência alcançados por "Rosa Selvagem" podem ser explicados por sua trama fantasiosa. "A novela é uma história para ser sonhada pelo público que a assiste. É um pouco como a famosa 'Pigmalião 70' (novela de Vicente Sesso exibida pela Globo em 1970 e que contava a história de um feirante, interpretado por Sérgio Cardoso, que é transformado em socialite por uma milionária, Tônia Carreiro). É uma forma de sonhar e esquecer os próprios problemas para envolver-se com outros", afirma a atriz. Veronica conta que "Rosa Selvagem" fez "muito sucesso" na Itália e Espanha. "Definitivamente esse tipo de tema mais apegado à fantasia funciona", conclui.

Veronica diz que o tipo de temática é outra diferença importante entre as novelas brasileiras e as mexicanas. "As novelas mexicanas e brasileiras não contam o mesmo tipo de história. Acho que nós somos mais apegados à irrealidade, a épocas antigas. Não somos tão modernistas quanto vocês, mas mais clássicos. Além disso, temos mais problemas para gravar. Não podemos beber álcool diante das câmeras nem mostrar cenas fortes de amor. Não se pode mostrar nada muito forte, só sugerir. É diferente de vocês. Temos muitos problemas porque ' a censura é muito forte aqui no México", conta.

Do Brasil, além das novelas Veronica também conhece e já trabalhou com Vicente Sesso (autor de "Sangue do Meu Sangue", "Minha Doce Namorada", "Cara a Cara") e com a atriz Sônia Braga - "muito agradável e divertida - , além de Roberto Carlos, com quem se encontrou na última semana num festival de música, em Acapulco.

A atriz começou sua carreira artística aos 14 anos, participando de programas musicais e atuando em comerciais. Não acreditava que a profissão pudesse dar certo e, por isso, formou-se em diplomacia. "Felizmente a carreira artística começou a ir muito bem, passei a ganhar dinheiro e deixei de lado a carreira universitária", lembra.

Hoje, ela apresenta um programa musical que é transmitido ao vivo pela TV Mexicana. "La Movida" vai ao ar de segunda a sexta, às 20h e não tem hora para terminar. "Depende do artista que vem. Às vezes fico quatro, cinco, seis, até sete horas no ao vivo. É pesado", conta.

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 15576