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Jornal/Revista: O Globo
Data de Publicação: 22/11/2009
Autor/Repórter: Joana Dale

ELE É UM ESPETÁCULO

Aos 39 anos, o ator baiano Daniel Boaventura dança como o argentino Sólon, na novela ‘Cama de gato’, e ainda canta no CD ‘Songs 4 U’, que já vendeu 25 mil cópias

Engana-se quem pensa que os sete musicais que o ator Daniel Boaventura ostenta no currículo garantiram o título de pé de valsa ao rapaz. Sim, Daniel dançou muito em “A Bela e a Fera”, assim como em “Chicago”. Mas todos os passos mostrados nos palcos foram milimetricamente coreografados para os espetáculos. Para interpretar Sólon, um misterioso — e picareta — argentino apaixonado por dança que promove bailes em “Cama de gato”, foram outros quinhentos.

— Por conta dos meus trabalhos em musicais ficou a impressão de que eu era um excelente dançarino... E não sou. Não tenho a mínima vergonha de dizer isso. Aprendo rápido porque tenho algum senso de ritmo. Para o Sólon, tive que aprender a dançar efetivamente — conta o ator baiano, de 39 anos, que mora com a mulher e as duas filhas em São Paulo há oito.

Antes do início das gravações do folhetim das 18h, de Duca Rachid e Thelma Guedes, Daniel e Camila Pitanga — a atriz que interpreta a faxineira Rose — fizeram três semanas de aulas intensivas com o professor Jaime Arôxa, no Rio.

— A dança nada mais é do que repetir os passos para criar a memória muscular. O diferencial para a novela é que a gente aplica em variações diferentes. É tudo bastante teatral. E a Camila tem uma feminilidade, uma flexibilidade natural. Como ela é esperta, é muito fácil de levar — elogia Daniel, fazendo, em seguida, um contraponto. — Já a função da Lolô (Heloísa Périssé, que interpreta a Taís, namorada de Sólon na trama) é errar. O próprio Jaime coreografa nossas quedas — diverte-se.

Nos próximos capítulos, Solón vai pedir Taís em casamento. Empolgada, a faxineira vai querer conhecer a futura sogra e os imóveis que ele diz que tem. O “argentino”, então, vai ter que rebolar para continuar escondendo o seu segredo — ou seja: a sua verdadeira família e condição financeira.

“Cama de gato” é a quinta novela do ator. Os holofotes se voltaram pela primeira vez para Daniel em 1994, quando ele e mais três atores-cantores baianos — Fábio Lago, Oswaldo Mil e George Vassilatos — invadiram os palcos do Rio e de São Paulo com o musical “Os cafajestes”. Foram cinco anos ininterruptos em cartaz. Nesse ínterim, Daniel foi convidado para estrear na TV como o Zico da minissérie “Hilda Furacão”. Seu debute em folhetins foi em 2000, em “Laços de família”, como o veterinário Alex. Entre outros trabalhos, o ator passou uma temporada de três anos em “Malhação”. Daniel se desdobrou para interpretar três personagens ao mesmo tempo na novelinha: os gêmeos Adriano e Mariano e a divertida Dona Drica, a mãe dos dois, com direito a peruca loura e tudo.

— O meu primeiro ano em “Malhação” foi bacana porque deu para conciliar com o musical “Camila Baker”, que estava em cartaz em São Paulo. E eu não gosto de faltar no teatro, sou o pesadelo de todo stand-in (substituto) porque nunca o deixo fazer o espetáculo. Em “Chicago”, fiz todas as apresentações. Em “Vítor ou Vitória” também não faltei. Só me ausentei uma vez em “A Bela e a Fera” porque fiquei sem voz. Modéstia à parte, sou um touro, além de ser de touro — trocadilha o ator, enquanto mexe no cabelo e ajeita a camisa social semiaberta.

Não à toa, Daniel também é conhecido pelo público como “aquele ator que canta”. O predicado se firmou após o lançamento do seu primeiro CD, o “Songs 4 U”, há quatro meses. A influência da língua inglesa que domina o repertório vem dos anos 80, quando ele morou na Pensilvânia, nos Estados Unidos. Lá, fez aulas de trompete e flauta.

— Pensamos muito sobre o fato de ser um cantor-ator brasileiro cantando em inglês. O argumento da defesa é de que o disco é fruto do que gosto de cantar. Não acho que o idioma seja um empecilho. A música é atemporal e resiste a rótulos — diz.

No fim da entrevista, Daniel recebeu a ligação de seu empresário, Marcelo Maia, comemorando: “Songs 4 U” ultrapassou a marca de 25 mil discos vendidos — marca significativa em tempos de MP3. A 14ª faixa do CD é “I’m in the mood for love”, tema de Maya (Juliana Paes) e Raj (Rodrigo Lombardi) em “Caminho das Índias”. E essa não é a única música que entrou para a trilha das novelas.

— Encontrei com o Jorge Fernando, diretor de “Caras & bocas”, no avião quando estava com o CD demo na mão. Ele gostou e escolheu “If” para o casal formado pela Flávia Alessandra e o Malvino Salvador — conta, orgulhoso. — Durante um mês ninguém sabia que era eu quem cantava, tanto em “Caminho das Índias” quanto na novela das 19h. Acho que até hoje muita gente não sabe. Um dia vão me conhecer.... Sou baiano, não tem problema: devagar e sempre. Prefiro fazer devagar e bem-feito.

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 160250