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Jornal/Revista: O Estado de S. Paulo
Data de Publicação: 07/02/2010
Autor/Repórter: Patrícia Villalba

FAMÍLIAS TORTAS E INCESTOS EM SÉRIE

A novela brasileira já se reinventou mil vezes acelerou, demoliu arquétipos, foi contada de trás pra frente. Mas se mantém apegada a certos recursos dramáticos, que vêm e vão intactos com as tramas - o pobre que se apaixona pela rica, o milionário que perde afortuna, um amor do passado que assombra o presente. Dessas cartas nas mangas dos autores, a que eu acho mais divertida é a da exploração das relações familiares tortas.

É aquela história, por exemplo, do filho perdido que por obra do destino acaba topando com a irmã desconhecida numa da esquina e começa um romance. Incesto!, logo pensa o telespectador desavisado, para relaxar depois, quando se revela que a moça também não é filha de quem a gente pensava.

Um exemplo é A Favorita, na qual ainda outro dia Halley (Cauã Raymond) e Lara (Mariana Ximenez) sofriam por achar que eram irmãos.

Agora, vai acontecer de novo em Tempos Modernos, quando Zeca (Thiago Mendonça) descobrir que é filho de Leal (Antônio Fagundes), pai também de Nelinha (Fernanda Vasconcellos), sua namorada. Mas é quase certo que ela não seja filha biológica de Leal - bingo! Confesso que esperava mais dessa novela.

É por isso que eu gosto das relações do Manoel Carlos. Em Viver a Vida, já se sabe que Bruno (Thiago Lacerda) será revelado filho de Marcos (José Mayer), que vem a ser também pai de Luciana (Alinne Moraes). E não vamos esquecer que os dois andaram se beijando no deserto. Maneco vai bancar o beijo dos irmãos, ui. Não sei se é verdade, mas há outra história boa, de que Mia (Paloma Bernardi) é filha biológica de Marcos, apesar de pensar que foi adotada por ele e Teresa (Lília Cabral). Ele teria convencido Teresa a adotar, sem saber, uma filha que teve fora do casamento. Olha que pilantra!

É coisa que acontece na vida real, como a história da amiga da minha tia Irene. Um belo dia, o marido dela apareceu com um bebê em casa, supostamente abandonado. Mas foi a criança crescer um pouquinho para virar uma cópia perfeita do pai supostamente adotivo. Aos que ousavam maldar, o tal sujeito respondia: "É o amor! Acho que com a convivência a criança acaba ficando parecida com a gente...", repetia, mais cara de pau que o Marcos. Depois, dizem que os autores de novela é que são delirantes.

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 162489