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Nova Consulta

Jornal/Revista: Jornal do Brasil
Data de Publicação: 02/10/1991
Autor/Repórter: Ricardo Miranda Filho e Itamar Garcez

TV MANCHETE

Ao anunciar ontem sua decisão de suspender as negociações para a compra da Rede Manchete de Televisão, o deputado Paulo Octávio (PRN-DF), amigo do presidente Collor, fez um duro discurso na Câmara dos Deputados contra o que classificou de "práticas sub-reptícias e insidiosas" de empresários que têm medo da livre concorrência e das regras do mercado.

PAULO OCTÁCIO DESISTE DE COMPRAR A MANCHETE - Ao anunciar ontem sua decisão de suspender as negociações para a compra da Rede Manchete de Televisão, o deputado Paulo Octávio (PRN-DF), num duro discurso na tribuna da Câmara dos Deputados, denunciou o que classificou de "práticas subreptícias e insidiosas" de empresários que têm medo da livre concorrência e das regras do mercado.

No discurso, o deputado admitiu ter decidido suspender os negócios como uma "modesta contribuição" à campanha do presidente em torno do entendimento nacional. "Neste momento em que o presidente Fernando Collor se empenha no sentido de buscar o entendimento político não seríamos nós, com nossa negociação, que atrairíamos suspeitas sobre a qualidade e a transparência do nosso negócio", afirmou. "Estou pagando o ônus de ser amigo do presidente", desabafou, logo depois do discurso.

"Nosso projeto não pode nem deve ocasionar inquietações a quem também se diz profissional do setor", disse. "Os empresários que têm no trabalho o seu patrimônio maior podem, no entanto, indagar quem são esses que se assustam tanto com a livre concorrência", afirmou o deputado, lendo o discurso. "E quem são os empresários que se inquietam quando grupos sadios, de capital nacional, preparam-se para entrar no mercado das telecomunicações brasileiras com um projeto limpo, claro, transparente e dispostos a correr os riscos do negócio", completou. "Nós não trabalhamos no lado escuro dos negócios", disse Paulo Octávio, que comunicou sua decisão ao empresário Adolpho Bloch, dono da Manchete, num encontro na segunda-feira pela manhã.

O deputado garantiu que as negociações para a compra da Manchete não incluiam a absorção de créditos ou débitos da empresa junto ao sistema financeiro. "Jamais procuramos bancos privados ou públicos com o objetivo de cobrir dívidas anteriores à nossa proposta", assegurou. A Manchete tem uma dívida de US$ 40 milhões, sendo metade com o Banco do Brasil. Paulo Octávio desafiou que provem qualquer favorecimento nas negociações, que se arrastavam há três meses. O deputado disse que estava muito perto de um acordo com a diretoria da Manchete. "O negócio era uma questão de tempo", disse. Ele admitiu retomar o projeto quando houver "uma fase melhor para negociar".

"Nada foi feito às escondidas'', apontou ele, lembrando que os empresários interessados no negócio, entre eles o professor João Carlos Di Gênio, dono dos colégios Objetivo, são "pessoas que professam suas atividades sem medo do passado nem temor do presente".

Do deputado José Luis Clerot -(PMDB-PB), que fez na semana passada um discurso, na tribuna da casa, exigindo um acompanhamento rigoroso das negociações que envolviam a compra da Rede Manchete de Televisão, afirmou que se o negócio, suspenso ontem, for retomado, vai pedir uma fiscalização da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicações e Informática da Câmara dos Deputados. "Nesse momento em que ninguém no país tem dinheiro no bolso uma transação desse porte, envolvendo a transferência de uma concessão pública, deve ser acompanhada de perto", defendeu. "Quero ver tudo sendo feito às claras", disse o parlamentar.

Brasília - Gilberto Alves.,

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 16864