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Nova Consulta

Jornal/Revista: Jornal do Brasil
Data de Publicação: 15/03/1992
Autor/Repórter: Cláudia Uchôa

DRAMA, TRUCULÊNCIA E ROSTOS CONHECIDOS NA REDE QUE VEIO DO SUL

A crise parece que ainda não chegou a Curitiba. Pelo menos às Organizações Martinez, que inauguram no próximo dia 30 a primeira rede de televisão brasileira com sede fora do eixo Rio-São Paulo. Escudados em um investimento total que atinge a cifra de 30 milhões de dólares (51 bilhões de cruzeiros no câmbio comercial), o suficiente para a construção de 40 Ciacs ou para a compra de 100 imóveis de luxo na Avenida Vieira Souto, os irmãos Martinez, proprietários da rede OM Brasil, que no Rio será retransmitida pela TV Corcovado, pretendem a médio prazo conquistar o terceiro lugar na audiência, desbancando veteranas e tradicionais concorrentes como a Bandeirantes e a Manchete.

Para alimentar este ambicioso projeto, os responsáveis pela Rede OM Brasil pensam grande e não poupam esforços para atingir os objetivos traçados em Curitiba, onde operam há 18 anos. Foram sondados nomes nacionalmente conhecidos, como a bela Valéria Monteiro, que deixou a Globo pensando em deslanchar uma carreira de modelo no exterior. "Dependendo da proposta de trabalho posso adiar a viagem e aceitar o convite", admite Valéria, que mantém contatos com a emissora.

A modelo Monique Evans e o narrador Galvâo Bueno são outros que podem integrar a equipe. Se não tiver Galvão em pessoa, a OM não vai ficar completamente órfã do narrador e já acertou com a produtora dele para a exibição de um programa esportivo semanal, aos domingos, em que a principal estrela é o tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna. O jornalista Paulo Alceu, durante três anos responsável pelo Programa de domingo, na Manchete, não titubeou em aceitar a proposta para dirigir o jornalismo da emissora no Rio. "Estamos conversando com muita gente. Mesmo depois da estréia da rede, no dia 30, ainda vamos contratar nomes de peso", garante o diretor de jornalismo da OM, Dante Mattiussi.

Mas para "atingir a popularidade do SBT com um padrão Globo de qualidade", frase que virou chavão na boca dos executivos da OM, a emissora não procurou apenas personalidades comportadas. Alguns dos nomes mais expressivos da linha truculenta, como o cantor Aguinaldo Timóteo e o radialista paulista Afanásio Jazadji, que se notabilizou pela violência de seu discurso, já garantiram a participação na programação da emissora. Os dramalhões importados também terão lugar cativo. Porém, para diferenciar do SBT, as produções mexicanas estão vetadas.

A lista de novidades da OM não termina aí. A emissora paranaense pretende se diferenciar de suas outras quatro concorrentes também pela regionalização da programação. Apenas entre 18h e 24h as transmissões serão em rede, ficando o restante do horário para que as emissoras regionais, afiliadas ou de propriedade da OM, que já cobrem 60% do território brasileiro, produzam seus próprios programas. Mas enquanto não chega o dia 30 de março, somente o carregado sotaque sulista vai dominar a programação no Rio de Janeiro. E que antes da inauguração oficial, a TV Corcovado, que até o dia 8 de março abrigou a MTV e agora pertence aos irmãos Martinez, vai retransmitir integralmente a programação da OM de Curitiba. Até lá, o negócio é se conformar com a overdose de mundo cão da Cidade Sorriso, que até então era conhecida apenas pela organização e pela beleza de pontos turísticos como o relógio das Flores e a rua 24 horas.

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 18163