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Jornal/Revista: Folha de S. Paulo
Data de Publicação: 16/08/1992
Autor/Repórter: Luís Antônio Giron

''ANOS REBELDES'' INSPIRA PROTESTOS CONTRA COLLOR

Efeito da minissérie fugiu ao cotrole da Rede Globo

A minissérie "Anos Rebeldes", que terminou anteontem na Globo, contou uma história e inspirou outra. Mesmo com pouca audiência e o script censurado pela emissora, o folhetim de Gilberto Braga é Sérgio Marques não só não traiu os fatos políticos passados, como se inscreveu nos presentes.

Os jovens estão usando, nas passeatas pelo impeachment, músicas de época da trilha de "Anos Rebeldes" e até gestos de rebeldia retratados em alguns capítulos. "Alegria, Alegria", de Caetano, é cantada nas ruas e são repetidos os slogans das velhas passeatas.

A equipe da minissérie quebrou com o esquema Globo de tabus. O núcleo de criação colidiu com o jornalístico e os papéis se inverteram: ficção ficou com fatos e vice-versa. Se as passeatas reais não foram mostradas em 68 e não são exibidas hoje, um pouco delas veio à tona na minissérie e transborda de volto à realidade.

A minissérie ganhou impulso realista de capítulo a capítulo, deixando os beijinhos de João (Cássio Gabus Mendes) e Mana Lúcia (Malu Mader) para segundo plano. O último capítulo desmascarou a própria Globo. A seqüência documental fez desfilar no tubo global fatos que a emissora evitou noticiar: tortura, delação, mortes de Herzog, Fiel Filho e Rubens Paiva.

Não houve muitas concessões à pieguice. Galeno (Pedro Cardoso), "alter ego" de Braga, virou autor de novelas e enfrentou a censura. A figura de maior força, Heloísa (Cláudia Abreu, em grande atuação), foi morta pelo Exército. O bobo João foi comunista para o exílio e voltou social-democrata. Até Maria Lúcia disse uma frase que não se sabe como a direção da Globo deixou passar: "Pelo que eu O me lembrando, nenhum sacana se deu mal nesses anos todos".

O final é anticlimático. João e Maria não ficam juntos, apesar de finalmente concordarem que "Sabiá" (Tom-Chico) é melhor que "Caminhando" (Geraldo Vandré). Moral da história: nenhuma utopia consola e não há TV que derrube os fatos.

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 18721