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Nova Consulta

Jornal/Revista: Meio & Mensagem
Data de Publicação: 28/09/1992
Autor/Repórter: Nara Damante

REDE OM PROMETE RESISTIR

Mesmo sem as verbas oficiais, anuncia inauguração de novas emissoras

Apesar de não contar mais com as verbas oficiais que a viabilizaram, a Rede OM está anunciando a manutenção de seus planos de expansão. Sexta-feira estava com tudo pronto para inaugurar, no domingo que passou, três emissoras no Maranhão. Segundo Walter Uchoa, diretor de expansão da Rede, há planos de inaugurar mais uma emissora na Bahia, logo depois das eleições municipais, e outras 15 no Norte-Nordeste.

Minimizando o peso das verbas oficiais, o superintendente da OM, Carlos Alberto (Guga) de Oliveira, diz que a publicidade estatal "nunca representou mais que 15% do faturamento da emissora". Mas reconhece que estas verbas sumiram desde que surgiram as primeiras informações de ligações do dono da Rede OM, José Carlos Martinez, com PC Farias.

Reynaldo Wilke, diretor de marketing da Rede, explica que com a queda da receita, a OM foi obrigada a reduzir suas despesas operacionais de US$ 1,5 milhão para US$ 1 milhão por mês. Com isso, foi necessário demitir cerca de 100 funcionários, especialmente jornalistas. As dificuldades da empresa podem ser medidas também pelo fato de os direitos trabalhistas dos jornalistas demitidos em São Paulo ainda estarem pendentes. O sindicato da categoria informou que negociou o pagamento das rescisões em quatro parcelas mensais.

Segundo Guga, o departamento de jornalismo em São Paulo manteve apenas três unidades externas, mas a equipe da sucursal de Brasília aumentou, devido à necessidade de cobrir a crise política. "Tínhamos um jornalismo caro, que exigia um orçamento de US$ 350 mil mensais", acrescenta Guga. Ele afirma que os pagamentos à TV Gazeta, de São Paulo, com quem a OM mantém acordo operacional, estão sendo cumpridos fielmente.

Guga diz que as relações de Martinez com PC Farias não tiveram reflexos comerciais nas agências e anunciantes do setor privado. "Apenas as empresas públicas deixaram de anunciar conosco".

Ele acrescenta que a OM mantém atualmente cerca de 900 funcionários. "Com o enxugamento de despesas conseguimos nos adequar à realidade do mercado, mas se a recessão se aprofundar seremos obrigados a redimensionar novamente a estrutura da emissora."

Naturalmente, há também uma outra questão pendente: a investigação em curso no Congresso sobre a origem do dinheiro utilizado para a compra da TV Corcovado no Rio. Mais do que um eventual aprofundamento da recessão, o resultado desta investigação é que poderá definir o futuro da OM.

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 19364