PUC-Rio

Voltar

Nova Consulta

Jornal/Revista: Jornal do Brasil
Data de Publicação: 16/03/1993
Autor/Repórter:

MANCHETE SAI DO AR NO RIO

Funcionários em greve por falta de salário ocupam prédio da emissora

Parecia um arrastão. Por volta das 13h, cerca de 200 funcionários da TV Manchete ocuparam o quarto andar do prédio da Glória, onde fica a rede de televisão. Às 14h40, os grevistas conseguiram colocar no ar um slide informando que as atividades estavam paralisadas por falta de pagamento dos salários de dezembro, janeiro, fevereiro e parte do 130. O aviso ficou no ar até as 16h30, no Rio, e ainda foi exibido para todo o país durante cinco minutos. Mas a TV Manchete conseguiu virar o sinal para São Paulo, que passou a transmitir a programação normal para todo o país. Menos para o Rio, onde a TV saiu do ar. O presidente Itamar Franco, em visita ao Rio ontem pela manhã, teve um encontro com a comissão de grevistas no Hotel Glória e considerou absurda a situação dos funcionários. Na quarta-feira, o presidente terá uma reunião com o Ministro do Trabalho, Walter Barelli, o ministro das Comunicações, Hugo Napoleão, e o presidente da TV Manchete, Hamilton Lucas de Oliveira, para buscar solução para o impasse.

Os funcionários estiveram em greve por 54 dias, durante os quais a TV foi mantida no ar. No dia 8 de março a greve foi julgada legal pelo Tribunal Regional do Trabalho, que determinou que os funcionários ganhassem 90 dias de estabilidade, recebessem os atrasados e retornassem ao trabalho. Os funcionários voltaram no dia mas não receberam. Desde ontem, ficou caracterizada uma greve de ocupação, e os funcionários pretendem ficar na empresa até receber o salário atrasado, revezando-se em turnos. Eles não querem o cancelamento da programação, porque se a TV ficar 24 horas fora do ar, a concessão é anulada. Ontem houve uma reunião em Brasília entre o comando de greve, o ministro do Trabalho, Walter Barelli, e um representante da empresa. Não chegaram a um consenso. A Manchete quer pagar os salários atrasados em sete vezes, sem reajuste. Os funcionários não aceitaram, e a greve foi retomada por tempo indeterminado.

De São Paulo, o diretor-geral da Rede Manchete, Xerxes Gusmão Neto, declarou: "Estranhamos esta violência no Rio, uma vez que em Brasília, no ministério do Trabalho, no mesmo momento, estava ocorrendo uma reunião dos representantes da empresa e funcionários, justamente para fazermos um acordo. Por isto, acho que a decisão dos funcionários no Rio foi precipitada." Enquanto isso, na sede carioca, o clima era tenso. Muitos empregados estavam desesperados por falta de pagamento e representantes dos sindicatos dos radialistas e dos jornalistas estavam reunidos.

A ocupação não encontrou resistência. As 16h30, uma nova turma de funcionários resolveu entrar no prédio, causando um certo tumulto. Adolpho Bloch, dono do prédio onde funcionam as redações das revistas de seu grupo (além da TV Manchete), não impediu a entrada dos grevistas, mas solicitou aos representantes do movimento que não depredassem o patrimônio. Eles disseram que não pretendem avariar nada, até por que esse patrimônio é a garantia de pagamento. Todos os chefes do departamento de jornalismo desceram - o único que permaneceu na sala foi o diretor de jornalismo, Mauro Costa.

Voltar

Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 20945