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Jornal/Revista: Jornal do Brasil
Data de Publicação: 21/03/1993
Autor/Repórter:

'EM BREVE, A TV MANCHETE ESTARÁ DE PÉ'

A crise da Rede Manchete não está indignando apenas os funcionários em greve, sem salário desde dezembro. Jayme Monjardim, diretor artístico da emissora, também está inconformado. Ele aproveitou uma pergunta do JORNAL DO BRASIL ("E possível produzir alguma coisa com a crise financeira e política da Manchete?") para desabafar, através de fax, contra as concorrentes e prometer dar o troco aos que "infringiram a infâmia da vingança". A seguir, a resposta-manifesto de Monjardim:

"A crise da Manchete não é a maior de todos os tempos que uma rede já enfrentou. A Bandeirantes teve seus funcionários acampados na frente de sua sede fazendo greve de fome no início dos anos 80 (...) Vejo gente atirando pedras na Manchete que se esquece da própria biografia. A crise não é da Manchete. Que culpa temos se o Brasil ainda não adequou suas leis à realidade dos tempos modernos?

Peço que não se deixem levar pelos boatos mal-intencionados, que são divulgados por aqueles que temem nossa competência de fazer televisão e preferem maquiar os fatos (...) A Manchete tem um perfil perigoso para a concorrência, pois todos sabem que a qualquer momento poderemos atingir a audiência de ponta.

Não somos uma rede imperial, administrada por famílias que monopolizaram a televisão brasileira (...) Em breve, estaremos em pé novamente. Só que desta vez marcados pela leviandade e a falta de escrúpulos com que fomos tratados artisticamente por algumas de nossas concorrentes. Não foram apenas nossos sofridos funcionários - as maiores vítimas da crise - que invadiram nossa sede na Rua do Russel, no Rio. A Bandeirantes também invadiu nossa casa com a deselegância dos maus-companheiros, despeitados com o fato de termos trazido para cá a Fórmula Indy. Em nenhum momento ela pesou o fato de estarmos lutando por um mercado de trabalho comum a todos e que esse evento, efetivamente, foi um sinalizador para a recuperação. Invadiu nossas instalações e tripudiou sobre nós.

Mas da nossa própria capacidade de trabalho nascerá uma nova TV para o Brasil, que certamente fará com que todos tenham que reestruturar seus rumos. Essa é a resposta contundente que vamos dar àqueles que infringiram a infâmia da vingança. Vamos responder com talento e criatividade ao achincalhe dos inconscientes (...) Em breve estaremos exibindo a nova programação, onde mostraremos que não voltamos para jogar o mesmo jogo desumano, encalhado na mesmice eletrônica/conceitual em que se transformou a TV brasileira."

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 20977