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Jornal/Revista: Folha de S. Paulo
Data de Publicação: 24/04/1993
Autor/Repórter:

BLOCH REASSUME O CONTROLE DA REDE MANCHETE

O grupo Bloch reassumiu ontem, por intermédio de uma liminar, o controle administrativo da Rede Manchete de Rádio e Televisão em todo o país. A liminar foi concedida pelo juiz Salim José Chalub, da 35ª Vara Civil do Rio. Ontem, Oscar Bloch Sigelman assumiu a administração da Manchete em São Paulo.

"Foi uma luta para se fazer cumprir a decisão judicial", disse o advogado do grupo Bloch, Antônio de Azevedo Sodré Filho. "Os diretores que estavam em exercício desapareceram da empresa", disse. A ordem judicial determinava o arrombamento das portas da sede, se necessário. O empresário Hamilton Lucas de Oliveira, do grupo IBF, fica proibido de entrar na sede da Rede Manchete. A Folha tentou falar com Oliveira, que não atendeu.

O empresário Adolpho Bloch, 84, detém ainda 51% das ações da rede, e entrou com medida cautelar alegando que a IBF (Indústria Brasileira de Formulários), que detém 49% das ações, estava tentando alienar parte do patrimônio da Manchete. O advogado do empresário, Paulo Pelicano, disse que em 30 dias entrará com ação ordinária para tentar rescindir o contrato de venda da Machete.

Em entrevista na sede da Bloch Editores, na praia do Flamengo (zona sul do Rio), Adolpho Bloch informou que, em 9 de junho de 1992, assinou protocolo de intenções para cessão de cotas da Rede Manchete ao presidente da IBF.

Pelo contrato, a IBF assumia as dívidas da Manchete da ordem de US$ 100 milhões, pagando ainda US$ 10 milhões a Adolpho Bloch. Pelicano afirmou que, pelo contrato, a IBF ficava com 49% das ações e o controle administrativo da rede. Com o cumprimento do acordo, Bloch transferiria então os 51% restantes para a IBF.

"Ele (Oliveira) não pagou as dívidas que assumiu nem as, que iam vencendo, e em 10 meses só pagou US$ 8,7 milhões dos US$ 10 milhões", disse Pelicano.

Oscar Bloch se preocupou em informar aos funcionários, atualmente em greve, que a questão salarial será estudada com prioridade. "Em no máximo 30 dias serão pagos os salários do Rio. Os funcionários de São Paulo receberão antes desse prazo".

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 21378