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Jornal/Revista: Folha de S. Paulo
Data de Publicação: 30/01/1994
Autor/Repórter: Annette Schwartsman

EX-GALÃ PULA PARA O OUTRO LADO DA CENA

Henrique Martins dirige "Eramos Seis' e acha improvável que volte a atuar

Um ex-galã vai dirigir a nova novela do SBT, "Éramos Seis". Depois de arrasar corações nos 60, estrelando sucessos como "O Sheik de Agadir" e "O Direito de Nascer", Henrique Martins, 60, passou para o outro lado da cena.

O motivo é simples: "Gosto muito do meu trabalho e, como diretor, trabalho mais". Acha improvável que volte a atuar. "Hoje, pelo excesso de tecnologia e cuidado com a produção, é difícil dirigir e atuar ao mesmo tempo", diz.

Esta não é a primeira vez que dirige - já fez "As Três Marias" (Globo, 1980), "Ana Raio e Zé Trovão(Manchete, 1991) e, agora, "Justiça dos Homens" (SBT). Mas isto não diminui seu entusiasmo. "Os estúdios estão prontos e a cidade cenográfica está sendo construída. Tudo caminha direitinho", diz.

Martins ainda não sabe se vai dividir a direção de "Éramos Seis" com alguém. "Até agora ninguém falou em segundo diretor, mas espero que tenha um segundo e um terceiro", diz. Mas a possibilidade de arcar sozinho com o trabalho não o assusta. "Na verdade isso é um pouco de frescura, porque a gente sempre está preparado".

A intimidade que tem com a TV se explica fácil: ambos iniciaram suas carreiras praticamente juntos Em 1953, quando a TV Paulista foi inaugurada em São Paulo e anunciou que faria testes, o jovem Heinz Schlesinger - filho único de imigrantes alemães que chegara ao Brasil aos três anos de idade - ajudava o pai em seu ateliê de costura.

Sua mãe, orgulhosa do belo par de olhos azuis do filho, insistiu para que tentasse. Ficou em segundo lugar e, pouco depois, era contratado pela rádio Tupi. "Como todos da rádio trabalhavam na TV...".

Sua primeira novela foi "Se O Mar Contasse", em 1964. Vivia o protagonista Marcos e fazia par com a também estreante Maria Isabel de Lizandra.

Ficou na Tupi até 1966, foi para a Globo, passou pela Excelsior, voltou para a Tupi, esteve na Bandeirantes e na Manchete. Ao todo, foram mais de 15 novelas.

Fora do expediente, Martins leva uma vida pacata. Vê pouco TV, de preferência filmes e telejornais. "Novela, só quando surge algo novo como 'Pantanal', pois aí aprendo".

Dos tempos de galã, guarda lembranças amenas. "O assédio era bem menor. Poucas pessoas tinham TV e o comportamento era mais tímido. Hoje, se um galã sai na rua ele é rasgado", diz.

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 24316