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Jornal/Revista: O Estado de S. Paulo
Data de Publicação: 30/08/1998
Autor/Repórter: Beatriz Coelho Silva

A GATA BORRALHEIRA MOSTRA SUAS GARRAS

Karina Barum conseguiu um feito raro para quem está em início de carreira: transformar um papel melodramático numa atuação sem pieguices. Como a Shirley de Torre de Babel, a garota rejeitada que vira objeto de desejo de galãs da trama, a atriz prova o sucesso de uma personagem já em sua terceira novela. Hoje, na rua, as pessoas puxam conversa e dão conselhos para a menina de ar tão desamparado.

Pessoalmente, Karina só tem a voz meiga da Shirley. É garota moderna, que saiu da casa dos pais, em Porto Alegre, aos 21 anos, para ser atriz em São Paulo e no Rio, onde mora há quatro anos. Também não é solitária. Namora há dois anos o guitarrista Rogério Meanda, da banda de Vanessa Rangel, e pensa em casamento e filhos. "Mas não agora, só quando eu me firmar profissionalmente."

Em seu apartamento, na praia do Leblon, ela gosta de ficar entre esculturas de pedra-sabão e madeira, fotos da família, que ficou no Rio Grande do Sul, e um piano desafinado na sala. "Não sei tocar quase nada, só músicas infantis", admite.

Estado - Como conseguiu o papel de Shirley?

Karina Barum - Pedi a Carlos Manga (diretor de Criação da Globo) que me desse um papel na novela. Já tinha alguma experiência, em Malhação e 74.5, Uma Onda no Ar (Manchete, 1994), além do filme O Monge e a Filha do Carrasco. Daí, eu me senti à vontade para procurá-lo. Mostrei meu currículo, fiz teste e ele me deu Shirley.

Estado - Foi difícil achar o tom certo e não cair na pieguice?

Karina - Não foi fácil, porque ela é bem diferente de mim. Procurei ver como reagem as pessoas que passam por um longo período de recuperação e dependem dos outros para as mínimas coisas. Descobri que o tempo dessas pessoas é diferente. Elas aprendem a esperar, coisa que eu não sei. Shirley é decidida: quer um lar. Mas, afetivamente, é inexperiente e romântica. Ela se decepciona quando Alexandre (Marcos Palmeira) casa com Sandra (Adriana Esteves).

Estado - Agora, Shirley está passando por uma transformação.

Karina - A mudança já começou, quando ela ganhou roupas de Clara (Maitê Proença). Mas se concretizou quando viu o casamento de Alexandre. O sofrimento fez Shirley crescer. Ela está mudando, aos poucos. Mudanças radicais ficariam sem sentido. Ela teme Adriano (Danton Mello), que se apaixonou por ela. Shirley não acredita que isso possa acontecer com ela. Sua auto-estima é baixa.

Estado - Uma história como a de Shirley e Adriano pode ocorrer?

Karina - Ele é um príncipe que veio do nada e príncipes vivem em castelos de areia que desmoronam facilmente. Até existem, mas temos de lutar para as coisas ocorrerem. A decisão de mudar é nossa, mas é bom ter uma ajuda externa.

Estado - Você já é reconhecida na rua?

Karina - Sim e adoro. Um dia, quando eu tiver muitas novelas no currículo, pode ser que eu ache ruim essa aproximação com o público. Por enquanto, está ótimo.

Estado - Que conselhos o público dá?

Karina - Ah, falam para Shirley batalhar pelo Alexandre ou querem que ela fique com Adriano, já que o outro está casado. Alguns dizem que Shirley não precisa sentir-se mais feia que a irmã, porque ela não é.

Estado - Em que você se parece com ela e no que é diferente?

Karina - Shirley é romântica, fantasia muito e eu sou prática. Ela vive o aqui e agora, sou ansiosa. Sempre penso no que vai acontecer.

Estado - Como é sua família?

Karina - Minha mãe tem uma loja de roupas e o marido dela é empresário. Tenho irmão e irmã pequenos. Todos moram em Porto Alegre. Só eu e Vanessa (a cantora Vanessa Barum, mulher de Marcos Palmeira) viramos artistas. Ela já trabalhou como atriz, mas hoje só quer cantar e me dá muita força.

Estado - Quando começou a carreira?

Karina - Estudava Nutrição e trabalhava com minha mãe na loja. Quando fiz 20 anos, dei uma parada, fui para Londres e, quando voltei, decidi morar em São Paulo. Fiz teatro e, após 3 anos, fui para o Rio, onde estou há 4. Por muito tempo, tive medo da insegurança da carreira de atriz. Hoje, sei que há instabilidade em todas as profissões.

Estado - Você se preocupa em fazer economia, em guardar para o futuro?

Karina - Mais ou menos. Quando Torre de Babel acabar, ficarei desempregada. Mas sou de poucos gastos. Gosto de cinema, ficar em casa, às vezes sair com amigos, o que não custa muito. Às vezes, sou compulsiva. Vou a uma loja ou livraria e compro tudo. Mas não sou "gastadeira". Quando preciso de roupas, vou à loja da minha mãe e pego o que preciso.

Estado - Você tem planos imediatos?

Karina - Bom, já fiz um filme legal, O Monge e a Filha do Carrasco, que não fez tanto sucesso. Agora, estou num outro projeto. É a adaptação do primeiro romance da Rachel de Queiroz, O Quinze, sobre a seca no Ceará em 1915. O filme começou a ser rodado, mas o diretor, Augusto Ribeiro Júnior, morreu e o trabalho parou. Agora, será retomado e a própria Rachel escreveu o roteiro.

Estado - E o coração, como vai?

Karina - Vai bem. Há dois anos namoro Rogério Meanda, parceiro da Vanessa Rangel. A carreira dele deslanchou por causa da música Palpite, tema de Carolina Ferraz e Eduardo Moscovis em Por Amor. Agora, eles têm outra música em Meu Bem Querer.

Estado - Vocês fazem planos ?

Karina - Quero casar, sou doida para ter filhos, mas antes preciso ter estabilidade na carreira. Rogério também pensa assim.

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 39483