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Nova Consulta

Jornal/Revista: Jornal do Brasil
Data de Publicação: 04/05/1996
Autor/Repórter: Vera Jardim

OVERDOSE DE TRAMAS E DRAMAS

Três folhetins podem mudar de uma vez o perfil do SBT

É tudo ou nada. Esta é a filosofia do SBT na briga pela conquista de espaço na teledramaturgia. Sílvio Santos decidiu, há apenas duas semanas, estrear três novelas simultaneamente. A estratégia é para enfrentar a concorrente que, no mesmo dia. coloca no ar sua nova produção das oito, O fim do mundo. "Lançar uma novela no meio de uma da Globo fica mais difícil', define Luciano Callegari, superintendente artístico do SBT. "Nossa idéia é aproveitar o início da novela de Dias Gomes para dar ao telespectador uma opção de escolha", acrescenta.

Assim, nesta segunda-feira, Antônio Alves, o taxista substitui Sangue do meu sangue, às 20h. O canal também está colocando no ar dois outros folhetins em horários inéditos: Colégio Brasil, às 18h30, e Razão de viver, às 21h. Mas o que possibilitou mesmo as estréias foram os três novos estúdios da emissora, na Via Anhangüera, em São Paulo. "Duas de nossas novelas são de produtoras independentes. Sendo assim, teríamos que ter suporte para arcar com mais de uma produção própria, caso as produtoras saíssem", esclarece Callegari.

Mauro Alencar, consultor e pesquisador de telenovelas da Globo e professor da oficina de atores da emissora, acha que Sílvio Santos quis causar um grande impacto. "É uma estratégia para chamar a atenção do telespectador e fazer com que ele mude, oficialmente, de canal." Ele lembra de estratégia semelhante, realizada pela emissora do Jardim Botânico em 1973. "Foi quando a Globo estreou Cavalo de aço e O bem amado (primeira novela colorizada da TV) para marcar a virada, a mudança de qualidade de suas novelas." Na época, a TV Tupi já não liderava, mas ainda era forte no gênero".

O senador Artur da Távola, que lançou na semana passada o livro A telenovela brasileira — história, análise e conteúdo, vê mais algumas razões para a febre de novelas. "A telenovela brasileira é diferenciada como produto e compete com outras formas de diversão, como filmes e séries. É claro que existe uma briga, mas tanto o SBT quanto a Globo querem garantir o público que pode migrar para os canais a cabo. Além disso, as emissoras também querem entrar no mercado das TVs por satélite, quase 200, que vão precisar de mais produtos". Artur da Távola não se lembra de nenhum momento como esse, em que quatro novos folhetins estréiam no mesmo dia na TV brasileira.

Antônio Alves, o taxista é o principal trunfo do SBT nessa briga. Embora a trama tenha perdido Sônia Braga — substituída às pressas por Branca de Camargo —, ainda conta com o carisma do galã Fábio Jr.. A espinha dorsal do folhetim de Alberto Migré, exibido há 20 anos na Argentina, enfoca um motorista de táxi de Florianópolis. Tony, como é conhecido Antônio Alves, se torna arrimo da família, após a morte dos pais. Ele cuida de seus quatro irmãos: Amélia (Elaine Cristina), Henrique (Murilo Rosa), Júnior (Vinícius Ventura) e a temporã Zezé (Gabriela Foganholi), de 9 anos.

O lado romântico do folhetim começa quando Tony conhece seu grande amor, Claudine (Branca de Camargo). Ela pega seu táxi, vestindo apenas uma capa de chuva: está fugindo, após quase ser flagrada pela mulher do ministro de quem é amante. A atração entre os dois é forte e eles acabam tendo um intenso caso de amor.

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 51146