PUC-Rio

Voltar

Nova Consulta

Jornal/Revista: Jornal do Brasil
Data de Publicação: 05/03/1988
Autor/Repórter: Cleusa Maria

TV RIO, UMA OPÇÃO ENTRA NO AR

No dia 26 de março, ao lançar no ar seu primeiro sinal, o novo Canal 13 sem funcionar desde 1975 - estará estreando também um novo jeito de fazer televisão. A carioquíssima TV Rio, como diz seu slogan, será uma estação voltada para dentro do Estado, comunitária, interativa. Mais que isso, pretende ser a opção para quem já se saturou da massificação das redes nacionais. Uma fórmula sem mistérios, no entender do diretor-geral, o experiente Walter Clark.

- A opção que nos coube - diz ele - é muito óbvia, como o busto de Colombo ou o ovo de Napoleão. O que me preocupa é o conteúdo, até porque padrão estético é sempre discutível. O caminho escolhido é suficientemente rico e vai me permitir ter uma estação eficiente e lucrativa.

Instalada no prédio de um antigo hospital infantil, no Estácio, o clima nos corredores e salas da emissora é de entusiasmo total. Condizente com o próprio caráter da carioquíssima que, nas palavras de seu diretor artístico e de programação, Gilberto Loureiro, será descontraída e bem-humorada. É nisso que ele confia, para atingir suas pretensões:

- A gente pretende sair do traço de audiência já no primeiro mês de funcionamento - afirma Loureiro.

Ney Cantinho (vice-presidente da Norton Publicidade), diretor comercial da emissora, está seguro de que esta meta são favas contadas. Pelos seus cálculos, existem quatro milhões de evangélicos no Rio. Se 10% deles ligarem seus aparelhos no 13 - o canal do pastor Evangélico Nilson Fanini - já serão 400 mil telespectadores. Considerando quatro pessoas por residência, 100 mil aparelhos estarão ligados na TV Rio.

- Isso nos garante, tranqüilamente, dois dígitos de audiência. Mas a idéia é ter uma emissora eclética, voltada para todo o Estado. Agora, que teremos um público evangélico, teremos.

Até agora o departamento comercial da TV Rio fez 400 visitas a anunciantes e nenhum deles manifestou qualquer restrição aos itens de programação da emissora. A estação, por seu lado. é que faz algumas restrições ao tipo de produto que anunciará.

Não iremos veicular comerciais de bebidas, fumo e jogos de azar - avisa Cantinho.

Não haverá, porém, restrições por parte do dono da emissora ao conteúdo da programação, mesmo que se tratem de outros credos que não o evangélico.

- É uma televisão ecumênica - confirma Gilberto Loureiro, o homem da programação.

Do ponto de vista tecnológico, todos os equipamentos da emissora foram escolhidos para garantir a agilidade e a boa movimentação das equipes jornalísticas que estarão apurando as informações na rua. Até porque o jornalismo, como diz Tércio de Lima, diretor desse departamento, é que irá abastecer a programação da emissora. Não haverá o noticiário clássico, 70% da produção do jornalismo estarão distribuídos pelos diversos módulos da programação. Assim, toda a estação será em U-Matic - fitas de três quartos de polegada, em vez das comumente usadas de uma polegada. As câmeras Sony são de cristal líquido (CCD), portanto mais leves, de operação mais fácil e com a mesma qualidade das câmeras de tubo.

- Todo o equipamento da emissora é ágil, leve, compactado e de última geração - explica Tércio de Lima.

A TV Rio montou três estúdios na sede do Estácio - todos em fase final de instalação - e terá oito unidades portáteis de jornalismo, duas para a produção na rua, uma unidade móvel (caminhão grande) e uma intermediária. Nos dias 7 e 8, a emissora selecionará os 10 repórteres que estarão no vídeo do canal 13.

Tudo isso estará a serviço de um novo modelo de televisão, que já tomava forma na cabeça do diretor geral Walter Clark desde que ele saiu da Rede Globo.

- A TV Rio é uma televisão de opção. A característica da estação é a grade da programação por módulos. Não vou precisar cortar a euforia cia torcida depois da vitória do Flamengo para entrar uma novela. Existe coisa mais frustrante do que o telespectador estar tomando interesse pelo assunto e ele ser cortado no ar? Se houver algum acontecimento importante - como as enchentes de agora que as televisões só começaram a dar no segundo, terceiro dia -, a ordem é que continue sendo transmitido. O módulo seguinte que se dane - diz Walter Clark.

Mesmo assim, ele não pode afirmar se o Canal 13 será a emissora forte do Estado do Rio.

- Não sei se vai ser forte no Estado, mas tem uma proposta nova. Só vamos conseguir quebrar o monopólio no Ibope, quando formos suficientemente insistentes para mostrar que existe outro modelo de TV - afirma ele, com a segurança de quem sabe que o Ibope tem registrado 69% de aparelhos desligados.

NA TELA DO 13 - Depois da inauguração no dia 26 de março, com uma festa do pastor Nilson Fanini no Maracanã e no Maracanãnzinho, a TV Rio ficará em testes, durante 15 dias. Na segunda quinzena de abril, a emissora, enfim, estreará sua programação.

De segunda a sábado, de 7h às 11h, ela transmitirá programas de grupos evangélicos, supervisionados pela direção. O primeiro programa do dia está "ancorado" no pastor Jonas Bloch, são dois módulos de uma hora, compostos de clips evangélicos, notícias de interesse desta comunidade, variedades, entrevistas. De 9h as 10h, o dono da estação, pastor Nilson Fanini, comandará o programa Debate que pretende discutir temas amplos como aborto, violência, com três entrevistados.

De 10h às 11h, Helena Brandão ( ex-Darlene Glória) estará no ar com Reencontro, um programa com quatro módulos de 15 minutos dedicados à mulher, criança, música evangélica e mensagem do pastor. Haverá convidados, sorteios, prêmios, jogos, entrevistas. Será feito no maior estúdio da emissora, com auditório e ao vivo, como praticamente toda a programação do 13.

Às 11h, começa a programação eclética da emissora, com quatro "âncoras" que farão quatro módulos de duas horas cada um, até às 19h. O primeiro deles, comandado por Selma Vieira (da Rádio Transamérica) será um módulo mais dedicado às mulheres, com moda, culinária, clips musicais. Logo em seguida, entra o Negro Filó que fará um programa mais voltado para os assuntos da negritude. Ele está envolvido no projeto Brasil-Senegal. De 15h às 17h, provavelmente Stepan Nercessian (a negociação não foi fechada) será a âncora do horário, produzindo um programa personificado com os demais. De 17h às 19h, Adriana Rimmer da Rádio Cidade, comandará um programa-"mais quente".

De 19h às 20h estará no ar o Rio hit parede, apresentado por Totinha Meirelles, atriz de teatro (fez Chorus line) estreando em TV, com um programa que fará a seleção das músicas dos módulos do dia, votadas pelo público. A meia hora seguinte será do jornalista policial Afonso Soares, com Rio cidade aberta, no qual comentará os principais casos policiais da cidade. De 20h30min às 21h30min vai ao ar o único programa gravado da emissora, a Sessão preto e branco, que exibirá a cada noite um seriado dos anos 60, com Além da imaginação, Paladino do oeste, O fugitivo.

De 21h30min às 23h, a TV Rio transmitirá o mais ambicioso programa da estação: Rio nove e meia, uma revista de variedades ancorada em um casal de apresentadores. Os pensados até agora são os jornalistas Pedro Bial, Caco Barcelos ou Sérgio Chapelin. Uma das partners cotadas é a atriz e jornalista Cristina Prochaska. As 23h30min, Neila Tavares produzirá e apresentará Acesso público, que pretende colocar as câmaras da emissora a serviço da população do Rio. Deverá durar até meia-noite, ou meia-noite e meia. A programação se encerra com um jornalístico curto, resumindo os principais assuntos do dia.

Aos domingos, haverá um módulo evangélico de 7h às 11h e, daí até as 15h, o assunto será o esporte no Rio. De 15h às 19h, a emissora programou mais esportes e está negociando com a produtora Koch Tavares um programa de atualidades, gravado em São Paulo. De 19h às 23h, o animador cultural Perfeito Fortuna - em conversações com a direção do 13 - deves rã comandar um programa de auditório, no Circo Voa dor, que tentará reabilitar os calouros e revelar gente nova no meio.

Voltar

Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 7816