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PUC-Rio
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Jornal/Revista: O Estado de S. Paulo Data de Publicação: 11/09/1999 Autor/Repórter: Leila Reis
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VENENO DE MARIA REGINA SALVA A NOVELA DAS 8
Maldade da personagem de Letícia Spiller foi a melhor coisa na trama de Aguinaldo Silva
Dentro de uma semana, o público despede-se de uma das vilãs mais malignas da história das telenovelas. Maria Regina (interpretada por Letícia Spiller em Suave Veneno) tem um lugar garantido na galeria em que figuram Iolanda Pratini (Joana Fomm, em Dancin' Days), Laurinha Figueiroa (Glória Menezes, em Rainha da Sucata), Odete Roitman (Beatriz Segal, em Vale Tudo), Maria Altiva (Eva Wilma, em A Indomada), Filomena Ferreto (Aracy Balabanian, em A Próxima Vítima), Raquel (Glória Pires, em Mulheres de Areia) e Ângela (Cláudia Raia, em Torre de Babel).
Mesmo tendo sido inesquecíveis, nenhuma dessas bruxas chegaram aos pés da Maria Regina de Letícia Spiller. Exagerada, ranheta, bufante e gratuitamente malévola, a personagem criada por Aguinaldo Silva é tão caricata que coube direitinho dentro do humor do Casseta & Planeta Urgente! Tanto que a personagem construída em cima de Maria Regina tirou Maria Paula da condição de coadjuvante dos cassetas para fazer dela protagonista no melhor quadro do programa.
Não há dúvida de que Suave Veneno foi o maior equívoco de Aguinaldo Silva. Ele bem que tinha avisado no início que não sabia que rumo tomar e essa desorientação se refletiu no ibope. A melhor média registrada pela novela - 40 pontos na Grande São Paulo - ocorreu esta semana, no finalzinho, enquanto sua antecessora, Torre de Babel, saiu do ar com 61 pontos de média.
Suave Veneno começou com uma troca de identidade: Glória Pires passou-se por outra para conquistar o rei do mármore (José Wilker, em um dos papéis mais burocráticos de sua carreira) para abandoná-lo com o coração partido. No emaranhado surgiu um roubo de diamantes, assassinatos, exumações, gravidez inesperada, dilema de opção sexual, a presença do demônio, falsificações de Picasso, etc.
No meio de tantas mudanças de rota, é possível afirmar que a maior coerência do enredo foi Maria Regina. E a maior brincadeira. Quem viu a vilã brigar com as ratazanas, quando invadiu o depósito da fábrica do seu pai, deve ter-se divertido bastante. A boa bisca não poupa nem roedores. Que ela vai acabar louca, isso não há dúvida. Afinal, todo bom noveleiro sabe que as megeras acabam loucas ou mortas. O público adora vinganças.
Esse desejo de vingança também deve estar mexendo com os espectadores da novela das 6. Força de um Desejo, que vem registrando apenas 26 pontos de média no ibope (na Grande São Paulo), é a novela mais injustiçada dos últimos tempos. A audiência, aquém das expectativas da direção da Globo, pode ser atribuída ao horário em que foi encaixada. A trama de época, escrita por Gilberto Braga e Alcides Nogueira, tem estatura para estar no horário das 8 e não para suceder a juvenil Malhação. Além disso, conta com um time de atores não só competentes, mas adequados a seus papéis e um capricho na produção só visto em minisséries.
E uma vilã maravilhosa: Idalina, interpretada por Nathália Timberg. Ao contrário de Maria Regina (que anuncia aos quatro ventos o passo a passo de seus planos macabros), Idalina é dissimulada e astuta. Intercepta cartas apaixonadas para afastar pombinhos, une-se aos desprovidos de caráter para urdir sua trama de intrigas, maltrata escravos e parentes, mesmo assim consegue ser discreta. É tão soturna e sorrateira que provoca arrepios no telespectador.
Idalina, no entanto, é apenas uma das boas personagens de Força de um Desejo. Já em Suave Veneno, Maria Regina é a única que vai ficar na memória do telespectador.
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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 51189