PUC-Rio

Jornal/Revista: O Estado de S. Paulo
Data de Publicação: 09/03/2003
Autor/Repórter: Cristina Padiglione

‘A GRANDE FAMÍLIA’ GANHA AVAL PARA MAIS UM ANO NO AR

Eleito o melhor humorístico de 2002 pela APCA, programa da Globo mantém elenco e horário na safra de 2003; o diretor-geral, Maurício Farias, faz um diagnóstico do sucesso do produto, exibido em mais 20 países

No saldo de todos os experimentos que a Globo realizou em 2002, considerando a instabilidade de horários provocada por Copa e eleições na programação, A Grande Família se deu muito bem. Nascido como um remake do humorístico homônimo produzido na década de 70, o programa passou dos textos de Vianinha a roteiros inéditos com louvor: conquistou um horário mais decente, uma platéia eclética – agrada a conservadores e modernetes – e, melhor de tudo, o aval da direção da Globo para ficar mais um ano no ar.

Para o diretor-geral do programa, Maurício Farias, um dos fatores que mais determinaram a extensão de A Grande Família foi a estabilidade de sua audiência. “O programa quase sempre termina com a mesma audiência que começou”, ele conta.

Além de ter sido um dos primeiros títulos da emissora a terem sua vaga assegurada na programação de 2003, A Grande Família também foi eleita pela Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA) o melhor humorístico do ano.

A volta dos episódios inéditos tem estréia marcada para 3 de abril. O horário será o mesmo: quinta-feira, às 22 horas. Mas a turma de Lineu (Marco Nanini) e Nenê (Marieta Severo) retornará ligeiramente repaginada.

“Quero mudar um pouco o visual da casa”, antecipa Farias. “Teremos algumas melhorias na cidade cenográfica e vamos caprichar ainda mais na fotografia e na computação gráfica. Acho que o programa pode ficar mais ágil e com uma linguagem moderna”, completa.

A Grande Família estreou nas noites de quinta, após o Linha Direta. Não faltava quem argumentasse que os programas deveriam trocar de lugar: por ser um policial, de conteúdo mais violento, parecia óbvio que o Linha Direta entrasse no ar mais tarde, após o humorístico, mas isso só ocorreu depois que A Grande Família, por ter sido “empurrada” para as noites de quarta, em razão das mudanças promovidas durante a Copa, experimentou a faixa das 22 horas. Atestado o bom efeito do horário, o programa voltou para as quintas quando o mundial acabou, mas então às 22 horas mesmo, na vaga que antes cabia ao Linha Direta.

“Durante o ano passado, discutimos muito na Globo sobre o horário. Muito antes da Copa, A Grande Família já havia demonstrado o seu potencial. Alguns programas em 2001 e os programas de férias, em janeiro de 2002, passaram mais cedo e obtiveram índices de audiência excelentes (com média entre 35 e 38 de Ibope)”, argumenta o diretor.

Outra prova de fogo foi a elaboração de textos inéditos, no lugar daqueles consagrados por Oduvaldo Vianna Filho. “Nós sabíamos que seria preciso escrever textos inéditos para o programa. A surpresa foi que, logo no meio da temporada de 2002, percebemos que muitos dos textos do Vianinha perdiam parte da sua graça quando transpostos para os dias de hoje. A realidade do Brasil de 2002 está muito distante do Brasil dos anos 70, da ditadura, do milagre econômico, do movimento hippie, etc., e, por melhor que fosse a adaptação, achamos que elas continuavam datadas.”

Feitas todas as contas, o diretor credita os méritos, “sobretudo”, a Cláudio Paiva e sua equipe. “O texto dos episódios é excelente. É muito difícil produzir semanalmente textos desta qualidade.”

De mais a mais, há o elenco, que junta atores certos nos papéis certos, mas, regra número 1 para que um produto emplaque na tela, forma um time com bastante afinidade. “Nanini, Marieta, Pedro (Cardoso), Lúcio (Mauro Filho), Guta (Stresser) e Rogério (Cardoso) participam de reuniões mensais comigo e com o Cláudio (Paiva, roteirista principal) sobre os textos e sobre novos temas”, completa o diretor. “A equipe também contribui de maneira fundamental na criação. Temos a supervisão do Guel Arraes, que participa sempre nas decisões mais importantes.”

O programa é visto hoje nos Estados Unidos, Japão, Austrália, Angola, Moçambique, África do Sul, Argentina, Chile, Colômbia, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai, Guatemala, Panamá, Peru, República Dominicana, Guiana Francesa, Timor Leste e Nova Zelândia, pelo canal internacional da Globo.

Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 86342