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Jornal/Revista: O Globo
Data de Publicação: 06/06/2010
Autor/Repórter: Gustavo Leitão

COLORIDO À MEXICANA

Assistimos a ‘As tontas não vão ao céu’, primeira parte da safra de novelas importadas que encerra a parceria do SBT com a Televisa

Em poucos minutos de exibição de “As tontas não vão ao céu”, uma tonta já dá as caras. Marisa (Sabine Moussier), uma mulher impulsiva de farta cabeleira, fica sabendo que a mocinha, Candy (Jacqueline Bracamontes), beijou seu noivo, o cirurgião plástico Santiago (Jaime Camil). Mas acaba se dando por satisfeita com uma desculpa esfarrapada. Exibida pelo SBT, a novela da Televisa é assim: cheia de confrontos e tontices. Uma receita enlatada que voltou ao canal este ano para surpresa de muitos, já que o contrato da emissora brasileira com a cadeia mexicana terminou em 2008.

No ar desde abril, sempre às 16h, “Las tontas no van al cielo” é uma brisa do último suspiro de uma parceria já histórica. Desde os anos 90, o canal de Silvio Santos exibiu, com maior ou menor sucesso, títulos da Televisa como “Carrossel”, “Pícara sonhadora”, “Feridas de amor” e “Maria do Bairro”. Em 2008, o acordo foi rompido. Mas, por contrato, o SBT ainda tem o direito de transmitir três produções. A atual, que mantém média de 5 pontos no ibope, é a primeira — o canal não revela quais são as próximas.

O folhetim, que foi ao ar no México em 2008, é uma comédia ligeira, ligeiríssima. Se há um defeito que não se pode atribuir à trama é a monotonia. Brigas, reconciliações, traições e trapaças se sucedem em ritmo frenético. Na última terça, o capítulo começou com uma discussão entre Gregória (Ana Bertha Espin) e sua filha, Candy. Aos gritos, a mãe reclamava da falta de amor da heroína. Em duas trocas de plano, as duas já estavam encharcadas de lágrimas.

O chororô, porém, é só uma escorregadela dramática numa trama que quer divertir, com personagens caricatos como uma dupla de mariachis atrapalhados e uma gordinha encalhada. A história tem como protagonista Candy, que se casa com Patrício (Valentino Lanus). Ainda na festa, ela flagra o marido beijando Alice (Fabiola Campomanes), sua irmã. Magoada, ela se muda para outra cidade onde simula a própria morte.

O colorido chama atenção. Há poucas paredes brancas, figurinos neutros e os cenários são coalhados de objetos. A extravagância é ressaltada pelos cabelos caudalosos e pela trilha sonora que sublinha cada clima: um piano choroso para o drama, um tema indolente para a comédia. Como a dublagem abafa os ruídos ambientes, os diálogos parecem sempre deslocados da ação, como se viessem de ventríloquos. Para dar o tom local, o texto em português inclui expressões como “minha gatinha” e “é o bicho”.

Embora esteja nos últimos momentos no SBT, a presença da Televisa na TV brasileira continua garantida até 2013 na Record, que detém os direitos de coproduções com o canal mexicano. Depois de “Bela, a feia”, a próxima será “Vivendo o amor”, adaptação de “Cuidado con el angel” comandada por Margareth Boury e prevista para o segundo semestre.

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 166273