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Nova Consulta

Jornal/Revista: Folha de S. Paulo
Data de Publicação: 15/09/1991
Autor/Repórter: Fernanda Scalzo

''SIMPLESMENTE MARIA'' É TÃO MEXICANA QNTO AS BRASILEIRAS

A história da empregada doméstica que engravida de homem rico e luta para criar o filho sozinha quase já faz parte do inconsciente coletivo latino-americano. A versão brasileira, exibida em 1970, tinha Ioná Magalhães como Maria.

A "Simplesmente Maria" que estreou esta semana no SBT é mexicana. Não só foi produzida no México, como também não escapa daquilo que no senso comum se entende por "novela mexicana". É boba, piegas, estereotipada. Mas não é diferente das novelas brasileiras.

Tem a mocinha que é uma santa. Tem a má que é invejosa e pérfida. Tem o mocinho que é um banana com chances de redenção. O que torna as novelas mexicanas "overpiegas'' é sobretudo a artificialidade dos diálogos traduzidos. Somados aos problemas da linguagem dos personagens, estão os da aparência. Eles parecem todos saídos de uni baú. Os estereótipos não encontram ressonância em nossa caixa referencial.

O mocinho - que deveria ser "o playboy bacana" - parece mal vestido, recém-chegado de uma festa na igreja. A má e elegante irmã dele é uma dessas terríveis peruas louras. Isso sem falar na empregada Maria com longas tranças. Tudo parece muito fora de lugar. Mas talvez isso mesmo explique o sucesso das novelas mexicanas por aqui. Elas têm algo de fantasioso. As personagens saem um pouco do lugar-comum (não são a cara da vizinha) e ganham ares de ficção (parecem saídas de um desses romances ruinzinhos para moças).

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 16706