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PUC-Rio
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Jornal/Revista: Jornal do Brasil Data de Publicação: 31/10/1992 Autor/Repórter:
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AMOR IMPOSSÍVEL 30 ANOS DEPOIS
O SBT não desiste. Na próxima terça-feira, às 21h20, estréia Eu compro essa mulher, mais um dramalhão mexicano. Alguma coisa em comum com Eu compro essa mulher, que estreou na Globo em 1966? Em parte sim. No Brasil, a novela foi assinada por Glória Magadan, estreou em 1966 e teve o grande mérito de ter sido o primeiro programa a levantar a audiência da Globo, uma estreante naquele tempo. Nos bastidores da emissora surgiu então a denúncia de que a verdadeira autora não seria Glória Magadan, mas uma outra cubana chamada Olga Ruilopez. Nada ficou provado na guerra das escritoras embora a nova versão de Eu compro-essa mulher que vem do México agora é assinada por quem? Por essa mesma Olga. Será que Glória Magadan, que hoje mora em Miami, sabe disso?
Na versão brasileira, a história tem início em 1909 durante uma viagem de navio em que um certo Federico Aldama Sanches e Escribano (Carlos Alberto) conhece e logo se encanta por uma moça muito bela e altiva chamada Maria Tereza (Yoná Magalhães). O amor sofre um terrível golpe quando Federico descobre que ela é filha do homem de quem ele deveria se vingar, segundo promessa feita ao pai em seu leito de morte. Aos poucos, Federico Aldama vai comprando uma a uma as propriedades da família de Maria Tereza e leva todos os seus parentes à falência. A moça sofre - e como - durante longos capítulos, dividida entre o amor e o ódio que sente por Federico.
- O drama mexicano batiza com novos nomes os personagens e começa antes, em 1880, no dia do casamento da bela jovem Branca Flor (Connie de la Mora) com o humilde pescador Henrique (Eduardo Yañez). Tudo parece ir bem até que Rodrigo Montes de Oca (Enrique Rocha), um rico e inescrupuloso industrial, impede a cerimônia. Ele é o primo rico de Branca e a considera sua propriedade. Furioso por ter sido preterido pela prima, Rodrigo acusa Henrique de ladrão e o manda para a cadeia. Além disso, ao saber que Branca está grávida, o vilão, ajudado pela malvada Matilde (Alma Muriel), tranca a prima numa fazenda, onde ela dá a luz ao menino Alexandre. Branca Flor é dada como morta e Henrique continua mofando na prisão.
Alexandre é criado por Mabel (Maria Regina), que acaba se casando com Santiago (Manuel Ojeda), um rico industrial. Em 1909, durante uma viagem de navio, o bem-sucedido rapaz conhece Ana Cristina (Letícia Calderon) e se apaixona por ela. Ao saber que se trata da filha de Rodrigo, o grande inimigo de seu verdadeiro pai, Alexandre decide tê-la a qualquer custo, mesmo que tenha que comprá-la. Apesar de amar Cristina, Alexandre tem sede de vingança.
Eu compro essa mulher é uma das mais caras produções da Televisa, com direito a cidade cenográfica, cenário e vestuário requintados, lembrando bem o México do período colonial. A novela, que substitui A fera, tem 160 capítulos e foi exibida naquele país em 1991. Se fará tanto sucesso quanto a versão brasileira ninguém pode dizer. Nem mesmo Carlos Alberto. O ator acha, porém, que o povão está sempre disposto a acompanhar histórias românticas, cheias de amor e ódio.
CIDADE VIBRA NO PRIMEIRO BEIJO - O ator Carlos Alberto tinha 31 anos e ainda não era um supergalã quando foi convidado a fazer parte do elenco de Eu compro essa mulher. "Em um mês, a novela levou a TV Globo do último ao primeiro lugar no Ibope. A história era uma coisa muito séria e os atores muito bons. Trazia Yoná Magalhães, Leila Diniz, Ziembinsky, Cláudio Marzo", lembra Carlos Alberto, que define seu personagem como um sujeito íntegro, "o último de urna estirpe que não existe mais. Era o homem que toda mulher gostaria de ter."
A novela ia ao ar no horário nobre, às 21h30, e fazia a cidade parar. Carlos Alberto morava em Copacabana e podia ouvir o assovio da trilha sonora composta pelo maestro Erlon Chaves vindo de todos os lugares. "Parecia que a cidade estava assoviando." Sem cenas audaciosas, o público sentia, do mesmo jeito, uma grande excitação toda vez que Federico se aproximava de Maria Tereza. Era uma eletricidade real, afinal, um caso de amor nascia ali entre os atores Yoná Magalhães e Carlos Alberto. A cena do primeiro beijo no máximo houve meia dúzia de ósculos durante toda a novela fez o público suspirar e soltar uma exclamação. "Eu ouvi um grito na rua, parecia um gol da Seleção", conta o ator, que soube através dos pilotos que eles atrasavam de propósito os vôos para poder assistir à novela.
Sem muitos recursos, a Globo construiu o cenário do navio no terraço de sua sede na Rua Von Martius, no Jardim Botânico. "Quando teve uma tempestade, 20 funcionários sacudiram de um lado para o outro o cenário e, ao mesmo tempo, jogavam dezenas de baldes d'água em cima da gente." Depois de tanta paixão na ficção e na vida real, Carlos Alberto e Yoná Magalhães passaram a ser convocados pela Globo para repetir a sofreguidão de Federico Aldama Sanches e Escribano e Maria Tereza.
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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 19606