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Nova Consulta

Jornal/Revista: Folha de S. Paulo
Data de Publicação: 30/06/1993
Autor/Repórter: Esther Hamburger

NOVELAS MEXICANAS ATRAEM COM A OFERTA DE EMOÇÕES ''PURAS''

Diante da mistura de ficção e notícia praticada pelas novelas brasileiras, pelos noticiários e documentários, as novelas mexicanas chamam atenção pela ortodoxia. Como em um conto de fadas, a moça pobre conhece seu príncipe e depois de muitas peripécias se reúne a ele e é feliz para sempre. Cinderela que não esfrega chão, mas é violentada, engravida, é agredida, perde a criança, mata em legítima defesa, é presa, tenta se suicidar, é absolvida, se sente traída em seu amor, perde a mãe, para finalmente se reconciliar com seu amor e ser feliz para sempre. Essa é a história da Maria Dolores de "Eu Não Acredito nos Homens", semelhante à história do Rodrigo de "Garotas Bonitas", as duas novelas mexicanas que terminam hoje no SBT.

Como num filme clássico de Hollywood, a câmara parada alterna rotineiros "shot, reverse shot" com planos médios. O enquadramento subjetivo é repetidamente usado; os atores nunca cometem a heresia de olhar para a câmera que, por sua vez, procura ocultar sua existência. Diante da semelhança de personagens, vestuário, atores e situações, temos que fazer um esforço para distinguir uma trama da outra. Não há uma única referência a um local ou a um momento histórico.

Os "bons" perdem a batalha contra o mal durante a maior parte da trama. Nos últimos capítulos, uma avalanche de acontecimentos introduz um tempo mais denso, que marca a vitória final do bem.

Apesar da surdina que marca o final dessas duas novelas, ele não passam despercebidos a um público surpreendentemente cativo. Talvez o seu atrativo esteja nesse esforço de lidar com emoções puras e inequívocas, como se fosse possível encontrar sossego na eliminação da ambigüidade e dos vestígios da história.

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 22110