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Nova Consulta

Jornal/Revista: O Globo
Data de Publicação: 20/01/1999
Autor/Repórter: Patrícia Kogut

UMA BOA TRAMA CONSTRUÍDA COM UM BOM ELENCO

O clima naturalista e de suspense de "Suave veneno", nova novela das 20h da Globo, mostrou, logo nas primeiras cenas, que Aguinaldo Silva vai prender a atenção do telespectador com ganchos construídos com mistério, desta vez num cenário bem longe do agreste. A mão certeira do autor mais uma vez funcionou numa trama atraente e dinâmica, ajudada pelo brilho da direção geral de Daniel Filho, que, justiça seja feita, é sempre sensível e criativo nesta missão. As cenas de perseguição do pivete nas ruas do Rio foram bem realizadas, assim como as do acidente que feriu Waldomiro (José Wilker) e a misteriosa Inês (Glória Pires). E as seqüências na jazida de mármore, com o discurso grandiloqüente do empresário, deram o tom épico típico das histórias de Aguinaldo. Esta é, certamente, mais uma que promete.

Não foi só o autor que reafirmou sua versatilidade nesta estréia. O primeiro capítulo foi também de José Wilker (Waldomiro), num de seus raros desempenhos a quilômetros de distância da linha-cínica-Jack-Nicholson. Perfeito como o empresário de fibra e bom coração, ele roubou todas as cenas em que esteve presente. Também se destacaram Glória Pires (Inês), Rodrigo Santoro (Eliseu), Angelo Antônio (Adelmo), Patrícia França (Clarice) - uma advogada idealista e meio chatinha - Irene Ravache (Eleonor) e Diogo Vilela (Uálber). Luana Piovani é outra que esteve muito bem, sem exageros de interpretação. O mesmo não se pode dizer de Letícia Spiller (Regina), teatral e mais rebolativa do que a Babalu de "Quatro por quatro". Isso vale também para Tarcísio Filho (Augusto Ivan), que mais parece um vilão antigo, desnecessariamente fazendo caras de mau. Nada, porém, que não possa ser suavizado com um ajuste. A boa audiência de 43 pontos da estréia tem tudo para se manter.

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Fonte: Banco de Dados TV-Pesquisa - Documento número: 43758